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Tocantins será modelo para aprofundamento do debate sobre doação de terras da União aos Estados

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O pequeno município de São Bento do Tocantins, localizado no extremo Norte do estado, será objeto de estudo da Câmara Técnica de Destinação e Regularização Fundiária de Terras Públicas Federais Rurais (CTD), o Grupo de Trabalho de Diálogo Federativo criado no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para discutir a transferência das terras pertencentes à União para o domínio do estado do Tocantins.

A escolha do município para um recorte de aprofundamento da discussão na próxima rodada de debates da Câmara Técnica foi feita de forma unânime na primeira reunião do grupo realizada na última sexta-feira, 22, na sede do MDA, em Brasília. Presidida pelo secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do Ministério, Moisés Savian, a reunião contou com a presença do presidente do Instituto de Terras do Tocantins (Itertins), Robson Figueiredo, e representantes de vários ministérios e órgãos da União.

A reunião teve um longo debate sobre questões técnicas e legais que envolvem a proposta de transferência de terras da União ao Tocantins, conforme prevê o Projeto de Lei n. 1.199/2023, da senadora Dorinha Seabra Rezende. Pelo projeto, o repasse das terras se daria nos mesmos critérios adotados nos estados de Roraima e Amapá. Nesse sentido, logo no início dos trabalhos foi apresentado pelo corpo técnico do MDA um breve estudo sobre a situação das terras da União no estado.

Segundo esse levantamento, o Tocantins possui 551 Glebas federais, 82 delas com georreferenciamento de perímetro, totalizando 6.909 quilômetros, e 469 glebas sem georreferenciamento de perímetro, num total de 17.789 quilômetros. A área remanescente de Glebas federais representa 7% do território do estado do Tocantins (aproximadamente dois milhões de hectares), mas se configura como uma área extremamente fragmentada, o que, na visão dos técnicos, torna o processo de doação bastante difícil e demorado. Ainda de acordo com o estudo, nesse montante existem áreas destinadas ou em processo de destinação que devem ser excluídas de eventual doação, as chamadas áreas de interesse público da União.

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Tranquilidade ao homem do campo

O presidente do Itertins considerou positiva a criação do Grupo de Trabalho para discutir a doação das terras para o Estado, mas deixou claro que a preocupação maior do Governo do Tocantins é dar tranquilidade ao homem do campo, principalmente para aquelas famílias que tiveram suas terras tituladas há anos e hoje são surpreendidas com o cancelamento de seus registros, por força de Ações Cíveis Originárias (ACO’s). Robson Figueiredo citou o cancelamento de aproximadamente 250 matrículas.

“A grande preocupação do Governador Wanderlei Barbosa é o impasse em resolver a situação do produtor rural que está sem segurança jurídica de sua propriedade. No passado, títulos foram entregues, há mais de 20, 30 anos atrás. O problema deverá e será resolvido”, pontuou Figueiredo.

Solução administrativa

Participando da reunião de forma remota, junto do chefe da Divisão de Governança Fundiária, Divino Soares, e o chefe do Serviço de Cartografia, Heliomar Vasconcelos, o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Tocantins, Edmundo Costa, defendeu um entendimento com o Estado para levantar pontos específicos e resolver os problemas administrativamente. Segundo ele, uma solução via doação, como define o projeto de lei, é quase impossível, o que levaria muito tempo. Além disso, o serviço de cartografia do Órgão no estado teria imensa dificuldade em fazer um levantamento minucioso da situação.

Edmundo Costa ainda afirmou que o próprio Estado poderia apontar áreas específicas a serem regularizadas e trabalhadas pelo Incra caso a caso. “É possível a gente resolver muitas questões administrativamente, analisando caso a caso”, disse ele, acrescentando que o arcabouço legal do país e a própria Constituição já apontam os caminhos que tratam da doação de terras da União aos entes federados. A preocupação, ainda segundo o superintendente, é que, do jeito que está sendo posta, a questão vai criar insegurança jurídica e uma discussão quase sem fim. “O Incra está cumprindo o seu papel. Temos as demandas sociais e as demandas de regularização fundiária, e estamos trabalhando”, frisou.

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Debate amplo

O secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Moisés Savian, abriu a palavra a todos os órgãos presentes. Assim, puderam se manifestar e colocar suas posições o coordenador-geral de Regularização Fundiária, Ernesto Reis, e a coordenadora-geral de Cartografia, Ana Paula Carvalho, do Incra Nacional, a coordenadora-geral de Identificação e Delimitação da Funai, Nina Almeida, o coordenador-geral de Gestão do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais, do Ministério do Meio Ambiente, Bernardo Issa, além de representantes da Casa Civil do Governo Federal, da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), entre outros.

Conhecendo o problema

Por tratar-se de uma primeira reunião, Moisés Savian disse que esse encontro do Grupo de Trabalho serviu para que cada órgão envolvido no debate apresentasse sua visão e informações que irão servir de base para ações concretas no futuro. Ele considerou positiva e extremamente importante a sugestão do presidente do Itertins de incluir no debate a Advocacia Geral da União (AGU), o que foi aceito por todos.

Robson Figueiredo sugeriu, também, a inclusão das áreas atingidas por ACO’s para servirem de recorte de aprofundamento do debate, juntamente com o município de São Bento. A expectativa é de que num prazo de pelo menos duas semanas o grupo já tenha um panorama para marcar uma nova rodada de debates. Enquanto isso, segundo Moisés Savian, os órgãos da União farão tratativas internas com seus respectivos Conselhos Jurídicos (Conjur’s) e levarão as informações aos seus superiores.

“Todos os argumentos aqui colocados só reforçam a necessidade de se colocar essa lupa, esse olhar sobre (o município de) São Bento. É um bom recorte para a gente iniciar as tratativas. A partir do caso de São Bento nós podemos definir outras prioridades”, disse o secretário.

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Naturatins marca participação na Agrotins 2026 com assinatura de Projeto de Lei que regulamenta o licenciamento ambiental

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O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) concluiu sua participação na 26ª edição da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins 2026). Ao longo dos cinco dias de evento, o órgão se destacou pela assinatura do Projeto de Lei nº 9/2026, pela realização de atendimentos e orientações, bem como pela promoção de consciência ambiental por meio da doação de mudas.

Na abertura oficial da feira, o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, acompanhado do presidente do Naturatins, Cledson Lima, assinou o Projeto de Lei nº 9/2026. A proposta altera a Lei nº 3.804, de julho de 2021, que regulamenta o licenciamento ambiental no estado.

O texto atualiza os procedimentos de análise ambiental, institui novas modalidades de licença, estabelece critérios técnicos para atividades e empreendimentos de pequeno e médio porte e ajusta a legislação estadual às normas federais em vigor. Ainda prevê novos mecanismos de fiscalização, monitoramento e regularização ambiental no Tocantins, além de promover a desburocratização e maior celeridade nos processos de emissão do licenciamento ambiental.

Projeto de Lei nº 9/2026

Caso aprovada, a nova legislação ambiental estadual estará alinhada às normas federais, introduzindo mudanças significativas nos procedimentos para o setor agropecuário e florestal. Entre os principais avanços, está a dispensa de licenciamento para atividades de agricultura, pecuária extensiva e silvicultura desenvolvidas em áreas já consolidadas.

Outra inovação é o Licenciamento por Adesão e Compromisso (LAC), no qual o produtor assume as responsabilidades, enquanto o órgão realiza a inspeção para verificar se os empreendimentos estão de acordo com os preceitos técnicos e legais, dando maior celeridade aos procedimentos, sem diminuir as exigências.

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Complementarmente, a Licença Ambiental Única (LAU) unifica as etapas de licenciamento em um único procedimento, reduzindo a burocracia para o empreendedor rural.

A lei também amplia os prazos de validade das licenças, o que garante maior estabilidade para as atividades no campo. No âmbito decisório, concede autonomia ao órgão ambiental licenciador, que não fica mais obrigatoriamente vinculado às manifestações de outros entes intervenientes, evitando, assim, travamentos externos nos processos.

Com a automação do sistema e a adoção de critérios objetivos, a legislação substitui processos lentos por uma lógica de desburocratização. A segurança jurídica é reforçada pelo alinhamento com as regras federais, protegendo o produtor contra questionamentos judiciais ou multas conflitantes. Por fim, a regularização simplificada facilita o acesso ao crédito, permitindo a obtenção de financiamentos e seguros agrícolas com menos entraves.

O presidente Cledson Lima destacou a relevância do projeto para agilizar a tramitação dos processos. “Essa proposta é uma conquista, em especial para pequenos e médios produtores, que se beneficiarão da regulamentação e da simplificação do licenciamento ambiental. Assim, ganharemos mais celeridade e segurança jurídica”, afirmou.

Atendimento do Naturatins na feira

Durante a semana, servidores do Naturatins estiveram à disposição do público para prestar orientações sobre regularização ambiental, emissão de licenças de pesca, Cadastro Ambiental Rural (CAR), outorgas e demais serviços do órgão.

Segundo o analista ambiental da Diretoria de Gestão e Regularização Ambiental do Naturatins, Augusto Marçal, o objetivo foi aproximar a instituição da população, esclarecendo dúvidas técnicas. “Buscamos fornecer informações e dinamizar o atendimento relativo aos processos ambientais, reduzindo a burocracia e dando rapidez às demandas do público”, explicou.

Os serviços mais procurados no decorrer da Agrotins foram licenciamento ambiental e o CAR.

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Representante de relações institucionais em uma empresa do setor agropecuário, Altair Zanela avaliou positivamente a iniciativa. “Acabei de ser atendido pela equipe do Naturatins e estou muito satisfeito. É proveitoso participar da Agrotins, onde diversos órgãos se reúnem, para agilizar muitas demandas do dia a dia da empresa. Conseguimos resolver várias pendências em um único dia”, relatou.

Conscientização ambiental

Ao longo do evento, o Naturatins distribuiu mudas nativas aos visitantes de seu estande institucional. Foram doadas mais de 150 mudas de baru, jatobá, jaca e buriti, com o intuito de promover a consciência ambiental e reforçar a importância do reflorestamento do cerrado tocantinense.

A ação agradou os presentes, como a servidora da Secretaria de Educação (Seduc), Kallyne Glória. “Parabenizo o Naturatins por esse projeto. Estou levando duas mudas de buriti para plantar na chácara do meu pai e, futuramente, colher os frutos que ela produzirá”, contou.

Agrotins 2026

Com 26 anos de avanços e oportunidades, a Agrotins celebra uma trajetória de crescimento e inovação, consolidando-se como um dos principais eventos do agronegócio no Brasil. A feira é uma realização do Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços (Sics), da Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) e da Tocantins Parcerias, em parceria com empresas do agro, órgãos públicos e instituições de pesquisa e ensino.

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