SEDUC
Governo do Tocantins promove o fortalecimento da educação antirracista nas escolas estaduais
Publicado em
20 de novembro de 2025por
Redação
A construção de uma educação antirracista e que celebra a cultura afro-brasileira tem sido uma prioridade para a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), que segue transformando o ensino público tocantinense ao promover o debate e converter a luta contra o racismo em ações concretas nas escolas estaduais. Com a Lei nº 10.639/2003, o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira no Projeto Político Pedagógico (PPP) de todas as escolas públicas e particulares do ensino fundamental até o ensino médio se torna obrigatório.
Com o projeto Poder Afro de Combate ao Racismo, promovido pelo Governo do Tocantins, por meio da Seduc, tem buscado fortalecer estratégias de luta contra o racismo nas escolas tocantinenses, valorizando a diversidade étnico-racial, bem como o respeito às diferenças e a inclusão do debate identitário no contexto escolar. A iniciativa faz parte do Programa de Fortalecimento da Educação (PROFE), e tem sido um dos destaques do programa.
O secretário de Estado da Educação, Hercules Jackson, reforça que as ações desenvolvidas pela Seduc têm ampliado o alcance das políticas de igualdade racial e fortalecido o compromisso do Estado com uma educação mais representativa.
“Estamos construindo, com responsabilidade e diálogo, uma educação que valoriza todas as identidades e reconhece a riqueza da diversidade presente em nossas escolas. O combate ao racismo não é uma ação pontual, é um compromisso permanente. Quando garantimos que nossas crianças e jovens conheçam a verdadeira história do nosso país e vejam suas culturas representadas no currículo, fortalecemos não apenas o aprendizado, mas também a autoestima e o pertencimento de cada estudante. Esse é um passo fundamental para formarmos cidadãos conscientes, críticos e preparados para transformar a sociedade”, reforçou Hercules Jackson.
O Poder Afro tem impactado positivamente os estudantes tocantinenses com a entrega de materiais estruturados e metodológicos para subsidiar o desenvolvimento do currículo da educação básica com foco na valorização da diversidade étnico-racial. Além do material, os profissionais da educação das 13 Superintendências Regionais (SREs) passaram por formações com o material ‘Minha África Brasileira’, distribuído para todas as unidades escolares de Ensino Médio da rede estadual.
A superintendente de Políticas Educacionais da Seduc, Márcia Brasileiro, destaca o compromisso do Governo do Tocantins com a promoção da igualdade racial e o combate ao racismo nas escolas. “A Seduc tem se empenhado em construir uma educação que promova a igualdade racial. Em um estado com tantos estudantes negros, pardos e indígenas, é necessário fazer esse recorte e trazer políticas que fortalecem a cultura e a identidade de todos”, pontuou.
Iniciativas que promovem a equidade
Neste ano também foi lançado o Selo Escola Antirracista do Tocantins, que tem como objetivo reconhecer e premiar as boas práticas de escolas das redes estadual e municipal que, ao longo do ano letivo, desenvolveram ações pedagógicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento do racismo, conforme os princípios do Poder Afro e as Diretrizes da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).
Outra iniciativa da Seduc nesse sentido foi o lançamento da seleção de diretores para escolas quilombolas e indígenas. A seleção está em curso e tem o objetivo de selecionar diretores com base em critérios de mérito, desempenho e experiência, para o exercício da função pelo período de até três anos.
A iniciativa, inédita no Tocantins, fortalece a gestão democrática e assegura que as escolas sejam conduzidas por representantes que conhecem diretamente a realidade, os valores e as necessidades das próprias comunidades.
A coordenadora do Núcleo de Educação Escolar Quilombola e Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEEQ-ERER), da Seduc, Karoline Rebouças, revela que o intuito da Seduc é combater o racismo de forma mais efetiva, reduzindo as ocorrências nas instituições de ensino de todo estado do Tocantins. “Esse ano já com a PNEERC em curso, realizamos uma grande campanha visando a adesão de todos os municípios tocantinenses para usar a política, e desde então tem dado resultados. Fizemos o primeiro encontro de educação antirracista do estado dos Tocantins, em abril, além de formação para os professores”.
O trabalho tem avançado com formações, acompanhamento das regionais e incentivo às escolas. “Criamos um guia de implementação do livro Minha África Brasileira. Os técnicos de diversidade estão nas regionais, dando formações e acompanhando os projetos. Fizemos duas campanhas de autodeclaração racial para fortalecer a identidade dos estudantes, que em sua maioria são pretos e pardos. Estamos incentivando boas práticas sobre a temática e, agora, com o selo, recebendo projetos desenvolvidos ao longo do ano letivo”, completou Karoline.
Educação antirracista de norte a sul
Por todo o território tocantinense as unidades escolares estão realizando ações que celebram e aproximam os jovens da cultura afro-brasileira, promovendo o debate sobre igualdade racial e o combate ao racismo.
Na Escola Estadual Vila Guaracy, de Gurupi, ao longo do ano letivo foram trabalhados diversos projetos com temáticas étnico-raciais. Durante o mês de novembro, a unidade promoveu uma jornada de aprendizado, reflexão e valorização da cultura afro-brasileira. O evento, que contou com rodas de conversa e exposições temáticas sobre a história, lutas e conquistas do povo negro, trouxe como destaque a construção de um baobá, árvore que na cultura africana representa força, resistência, sabedoria e ancestralidade.
A diretora explica que as atividades fortalecem o reconhecimento de identidade dos estudantes, ampliando o senso de reconhecimento. “A escola tornou-se um espaço mais acolhedor, professores se tornaram mais preparados para abordar relações étnico-raciais de maneira sensível e com compromisso. A educação antirracista não apenas combate o preconceito, mas constrói uma comunidade escolar mais justa, consciente e plural. Enfrentar o racismo no ambiente escolar exige mais do que boas intenções, requer planejamento, ação e coragem institucional”, afirmou.
A professora de artes, Luiza Guedes, reforça a importância de um trabalho contínuo com os estudantes. “Na nossa escola nós trabalhamos a temática desde o início do ano, em todos os componentes curriculares, mostrando para nossos estudantes como entender e como trabalhar a questão do racismo e da injúria racial na escola, em casa, em todos os ambientes, através de atividades, vídeos, imagens e palestra. Nosso intuito é que os estudantes compreendam o valor de aprender sobre a cultura e conhecer mais da história afro-brasileira”, comentou.
Para a estudante Ana Luiza Ferreira as atividades foram inspiradoras. “Tivemos uma palestra sobre liderança negra e representatividade nos espaços de poder, e foi muito interessante. É importante que nós possamos nos enxergar em pessoas que admiramos, pessoas que se parecem com a gente, pois nos incentiva a continuar seguindo nossos sonhos”.
No Colégio Estadual Anita Cassimiro Moreno, de Aliança do Tocantins, a eletiva “Africanidades: entre cores e linhas” vem sendo trabalhada com os estudantes desde o começo do ano letivo. O projeto tem o objetivo de valorizar as belezas naturais brasileiras e os costumes de povos originários, por meio da representação de um conjunto de tradições, crenças e costumes de determinado grupo social.
A eletiva teve início com rodas de conversa sobre o que significa “Africanidades” e a herança cultural presente na culinária, música, religião, arte e linguagem. Durante as aulas os estudantes realizaram diversas atividades, como a produção de máscaras e pinturas inspiradas em tecidos africanos, turbantes e símbolos culturais, além de danças de origem africanas, como ludun, além do contato direto com os jogos de tabuleiro de origem africana, como: yoté, shishima, labirinto, tsoro, yematatu.
A professora responsável pela eletiva, Jaíny Rodrigues Nunes, reforça a importância de promover a igualdade por meio da educação. “Na educação, estudar a cultura é tão necessário quanto os outros conteúdos pertinentes à matemática ou português. A cultura abrange os campos da valorização, da preservação e conservação da identidade de um povo e o nosso projeto tem o intuito de promover a igualdade racial, a valorização das culturas afro-brasileiras e povos indígenas”, comentou.
O estudante Gabriel Melquiades conta que foi essencial aprender sobre esses assuntos na prática. “Aprendemos muito sobre diversidade cultural e os espaços conquistados por negros ao longo do tempo. Foi muito importante sairmos da teoria para a prática. Fizemos vídeos, rodas de conversa, aprendemos danças culturais, jogos, culinária, realmente nos aprofundamos na cultura, e foi essencial esse contato, para valorizarmos ainda mais tudo isso”, explicou.
Na região do bico do papagaio, a Escola Estadual de Tempo Integral Professora Oneide da Cruz Mousinho, de Araguatins, a educação antirracista se faz presente no currículo escolar durante todo o ano letivo. No dia 8 de novembro, a unidade realizou o 1º Concurso de Redação e Desenho, com o tema “Raízes de resistência: vozes que inspiram justiça social no Tocantins”.
O concurso, em parceria com o curso de Letras do Campus de Araguatins da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), teve como objetivo valorizar as histórias de resistência de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e demais grupos marginalizados. Como incentivo ainda foram disponibilizados R$ 5 mil para distribuição de premiação para as produções realizadas.
O resultado ainda será divulgado no dia 29 de novembro, junto com a exposição fotográfica “Raízes de resistência: meus gritos de consciência”, trabalho realizado pelos estudantes e que busca revelar o olhar de cada um sobre empoderamento, resistência e diversidade étnico-racial.
Segundo o diretor Juliano Laurindo Cardoso a gestão defende uma educação antirracista que valoriza cada estudante e promove respeito e igualdade. “Esse compromisso é essencial para formar cidadãos justos e conscientes. Por isso, nossas ações pedagógicas são pensadas para integrar a diversidade étnico-racial ao currículo durante todo o ano letivo. Acredito que a transformação social começa na sala de aula, com diálogo, formação crítica e valorização da história de todos os povos, em especial aqueles que sempre foram ignorados pela própria história e sociedade”, revelou.
A coordenadora de área de Ciências Sociais e Humanas e professora de Filosofia e Sociologia, Luzinete Pereira de Sousa, afirma que “a chave do sucesso para a implementação de uma educação pautada em questões étnico-raciais está na abertura constante para o diálogo, além da formação docente atualizada e de um olhar decolonial. A replicação dos conhecimentos socializados foi muito importante para os diálogos que são construídos e isso nos motiva a realizar, cada vez mais, trabalhos transversais que nos envolvem durante todo o ano letivo”, pontuou.
A estudante Izadora Silva da Cruz conta que gostou muito de participar do concurso. “Achei uma experiência maravilhosa, pois pude demonstrar como esses povos são tão importantes para a nossa vida e para a sociedade. E por meio de todos esses temas abordados ao longo do ano, creio que até mudou a visão preconceituosa de alguns alunos”, explicou.
A estudante Juliana de Sousa Santos compartilha um momento em que uma aula a impactou. “Durante uma aula de sociologia tivemos uma convidada que é professora de dança e quilombola. Ela falou sobre uma mulher que mora na comunidade e que ainda tinha marcas de correntes. Eu fiquei muito mexida, porque a gente estuda isso na escola desde sempre, mas ouvir alguém relatando é totalmente diferente. A gente vê que não é só história de livro, isso realmente aconteceu e pessoas carregam as marcas até hoje. Não é uma coisa que aconteceu no passado, essas coisas continuam acontecendo de alguma forma”, afirmou.
Para o estudante Gian Lucas Ribeiro é muito importante manter o debate aceso sobre questões étnico-raciais. “Essa discussão e busca pelo conhecimento são cruciais para um futuro mais justo. Entender a diversidade racial combate preconceitos e abre caminhos para a igualdade de oportunidades, e os estudos em sala de aula nos capacitam a analisar, transformar e construir uma realidade e sociedade mais forte e inclusiva, onde o potencial de cada um contribui para o bem de todos”, destacou.
Autodeclaração étnico-racial
De acordo com os dados do Censo Escolar do Tocantins de 2024, cerca de 92% dos estudantes matriculados na rede estadual realizaram a autodeclaração étnico-racial, destes, cerca de 80% são estudantes pretos e pardos.
Em maio deste ano, a Seduc realizou a semana de conscientização sobre a Autodeclaração Étnico-Racial na matrícula escolar. Nesse período, as equipes escolares de todas as unidades se mobilizaram para orientar estudantes, famílias e toda a comunidade escolar sobre a importância do preenchimento correto da autodeclaração da cor ou da raça na matrícula no Sistema de Gerenciamento Escolar (SGE). A Seduc também mobilizou gestores, professores e estudantes para reforçar a importância do preenchimento da autodeclaração étnico-racial durante o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que foi aplicado no Tocantins entre os dias 27 de outubro e 7 de novembro.
A autodeclaração étnico-racial visa incentivar os estudantes a se reconhecerem e se autodeclararem em uma das categorias étnico-raciais definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse reconhecimento fortalece o sentimento de identidade e pertencimento, além de apresentar dados precisos sobre a diversidade presente nas escolas. A ausência ou baixa taxa de autodeclaração compromete a formulação de políticas públicas, pois impede que as informações reflitam a realidade racial do país e do estado.
EDUCAÇÃO
Governo do Tocantins convoca 221 candidatos aprovados no processo de redistribuição e aproxima marca de cinco mil convocados para concurso da Educação
Published
1 semana atráson
6 de julho de 2026By
Redação
O Governo do Tocantins publica nesta sexta-feira, 3, a convocação de 221 candidatos aprovados no processo de redistribuição do Concurso Público da Educação Básica. O edital disponibilizou 468 vagas para unidades escolares localizadas em 120 municípios tocantinenses e atende ao cumprimento de decisão judicial relacionada ao certame. A lista dos convocados será publicada em edição suplementar do Diário Oficial do Estado.
Com a publicação, o concurso da Educação Básica chega à marca de 4.745 profissionais convocados, aproximando-se de cinco mil nomeações para integrar o quadro efetivo da rede estadual de ensino. A medida representa uma das maiores ações de recomposição de servidores da educação no Estado.
O governador Wanderlei Barbosa ressaltou que a convocação reforça o investimento do Estado na recomposição do quadro efetivo das escolas e na melhoria da qualidade do ensino aos estudantes tocantinenses. “A educação de qualidade se faz com profissionais valorizados e reconhecidos. Com essa nova convocação nos aproximamos da marca de cinco mil vagas no maior concurso da Educação dos últimos anos. Estamos trabalhando para que o Tocantins seja referência em educação e investindo nos nossos professores, porque são eles que transformam a educação”, enfatizou
Redistribuição
Ao todo, 974 candidatos se inscreveram para concorrer às vagas ofertadas no processo de redistribuição. A classificação observou os critérios estabelecidos no edital, considerando a nota obtida no concurso de 2023, os critérios de desempate previstos no certame e a ordem de preferência das localidades informadas pelos candidatos no ato da inscrição.
O processo de redistribuição foi realizado em cumprimento à decisão judicial e permitiu o aproveitamento de candidatos aprovados para o preenchimento de vagas remanescentes na rede estadual de ensino, respeitando rigorosamente a ordem de classificação do concurso.
Como o certame foi realizado com vagas distribuídas por município, algumas localidades não registraram número suficiente de candidatos aprovados para suprir a demanda, enquanto outras tiveram excedente de classificados, possibilitando a abertura do processo de redistribuição. Das 468 vagas disponibilizadas no edital, 221 foram preenchidas nesta etapa. As demais 247 permaneceram sem preenchimento por ausência de candidatos inscritos ou classificados para as localidades ofertadas.
Os candidatos convocados devem acompanhar o cronograma e cumprir os procedimentos previstos no edital para apresentação da documentação e demais etapas necessárias à nomeação.
Posse
Os candidatos convocados deverão realizar a posse por meio do Sistema de Posse Digital do Governo do Tocantins (https://possedigital.to.gov.
Como fazer a posse digital
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Acesse o Sistema de Posse Digital utilizando o CPF e a senha cadastrada.
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Preencha os dados pessoais, funcionais e as informações da nomeação.
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Anexe os documentos e exames exigidos em formato PDF.
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Revise as informações e gere a solicitação de posse.
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Acompanhe a análise do processo pelo e-mail cadastrado e aguarde o envio do termo de posse para assinatura.
Após a conclusão da posse e da entrada em exercício, os novos servidores efetivos iniciarão suas atividades em agosto no retorno das aulas da rede estadual, substituindo os profissionais contratados que atuavam nessas vagas durante o processo de redistribuição.
Concurso da Educação
Em fevereiro deste ano, foi realizada a nona convocação do concurso da Educação Básica, com o chamamento de mais 130 candidatos aprovados. Antes desta etapa, o concurso já havia contabilizado 4.524 profissionais convocados, sendo 1.232 nomeados além do quantitativo originalmente previsto no edital. As nomeações excedentes atenderam às necessidades da rede decorrentes de vacâncias, exonerações, afastamentos legais e da reorganização das unidades escolares.
Realizado em 2023, após mais de 14 anos sem concurso para a área, o certame ofertou 5.021 vagas para diversos cargos da Educação Básica e foi organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O concurso marcou a retomada da realização de concursos públicos para a Educação no Tocantins e vem contribuindo para a recomposição do quadro efetivo da rede estadual de ensino.

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