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Oficinas de geração de renda e saberes de terreiro acontecem pela primeira vez em Palmas

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A Secretaria de Estado da Cultura do Tocantins (Secult) participou, neste sábado, 21, das oficinas de saberes de terreiro e imersões integradas voltadas à valorização das tradições de matriz africana e à promoção de geração de renda. A iniciativa é realizada pela Associação A Barraca, em parceria com o Terreiro Ilê Odé Oyá, com o apoio do Ministério Público do Trabalho no Tocantins, e integra as atividades do 1º Festival Cultural e de Geração de Renda.

O secretário de Estado da Cultura, Adolfo Bezerra, participou da programação e destacou a importância de ações que reconhecem e fortalecem os saberes tradicionais. “São muito importantes eventos como este, que buscam a valorização da diversidade cultural e com a promoção de políticas públicas que respeitam e fortalecem as comunidades tradicionais. Estamos comprometidos em garantir que todas essas manifestações recebam o devido destaque”, afirmou.

Programação

A programação deste sábado reuniu três oficinas formativas, cada uma com carga horária de 10 horas, integrando cultura, formação e geração de renda.

A Oficina de Ritmos, Toques, Cantigas e Danças de Terreiro aborda fundamentos dos ritmos tradicionais das religiões de matriz africana, toques de atabaque como Ijexá, Nagô, Congo e Barravento, cantigas tradicionais, além da relação entre música, corporeidade e espiritualidade. A oficina é conduzida por Oloye Diego Adaes e Oloye Danilo Alves e inclui vivências rítmico-corporais e prática coletiva de xirê, ritual que une música e dança como forma de culto aos orixás no candomblé.

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Já a Oficina de Gastronomia Tradicional Afro-Brasileira trabalha a culinária ancestral e de terreiros, os alimentos sagrados e sua relação com os orixás, práticas de higiene e segurança alimentar, preparo de pratos tradicionais, uso de ervas e temperos, além de noções de comercialização. A formação foi ministrada pela Iyalorixá Mariana Vieira e pela Egbome Fabiana Alves.

Na Oficina de Confecção e Cuidados com Roupas de Terreiro, os participantes aprenderam sobre o simbolismo das vestimentas, técnicas básicas de costura, conservação das indumentárias e confecção de peças como saias, panos e ojás, ou pano de cabeça, com foco também na geração de renda a partir do fazer manual. A atividade foi conduzida pela Ekedje Bruna e pela Iyalorixá Clara Conceição.

Responsável pelo Terreiro Ilê Odé Oyá, Pai William de Oxóssi ressaltou o papel do festival na preservação cultural. “Este encontro fortalece a transmissão dos saberes ancestrais e cria oportunidades para que nossa cultura seja respeitada e valorizada pela sociedade, além de promover verdadeiras possibilidades de renda para nosso povo de terreiro, mostrando que nossa cultura é viva e tem força ancestral,” afirmou.

Vinda de São Paulo para ministrar a formação, Ialorixá Clarinha enfatizou a dimensão educativa da iniciativa. “Compartilhar esses conhecimentos é garantir que a tradição continue viva, com respeito à oralidade e aos fundamentos que sustentam nossas práticas. É uma honra fazer parte desta programação e ver como a comunidade do Tocantins se interessa em perpetuar nossa tradição, que é tão bonita,” destacou.

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Integração e ecumenismo

O evento foi gratuito e contou com a participação de diversos terreiros de Palmas e da comunidade em geral, além de promover o ecumenismo religioso com a participação também de cristãos, reafirmando a importância do respeito entre as diversas manifestações religiosas brasileiras.

Uma das participantes das oficinas, Helena Câmara é cristã e celebrou a experiência. “É uma oportunidade de aprendizado muito rica, que une cultura, espiritualidade e possibilidades reais de geração de renda. Eu, como cristã, reconheço a existência dos povos de terreiro como manifestação da cultura brasileira, e eventos como este, especialmente abertos ao público, são importantes, pois promovem o respeito e combatem a intolerância religiosa,” comentou.

A programação do festival continuou no domingo, 22, com a realização de uma roda de conversa com sacerdotes e sacerdotisas de diferentes casas de matriz africana. O encontro promoveu a troca de experiências, o fortalecimento da rede de terreiros e o debate sobre intolerância religiosa, direitos e políticas públicas. Já no próximo sábado, 28, ocorrerá a 3ª entrega de presente de Iemanjá, na Praia da Graciosa, com presença de casas de Candomblé e Umbanda, Tambores do Tocantins, Capoeiristas e demais parceiros.

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CULTURA

No Dia dos Povos Indígenas, Governo do Tocantins destaca políticas de inclusão e valorização dos povos originários

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O Governo do Tocantins celebra, neste domingo, 19, o Dia dos Povos Indígenas, destacando as ações de inclusão e valorização dos povos originários no estado. Criada em 2023, a Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot) foi um dos principais avanços para fomentar, coordenar e executar políticas públicas em âmbito estadual, de forma transversal.

O governador Wanderlei Barbosa destaca que a Sepot é pautada pelo desenvolvimento sustentável, pela proteção e promoção de direitos. “A criação desta secretaria representa um marco histórico para o Tocantins. Com isso, garantimos que os povos indígenas tenham voz ativa dentro do governo, participando da construção de políticas públicas que respeitem sua cultura e identidade. Nosso compromisso é promover desenvolvimento com dignidade, inclusão e respeito às raízes do nosso estado”, reforça.

No Tocantins, mais de 20 mil pessoas se autodeclaram indígenas, segundo o último levantamento do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos dados relacionados aos municípios com maior população indígena no estado, Tocantínia lidera o ranking (4.086), seguida por Goiatins (2.650), Tocantinópolis (2.352), Lagoa da Confusão (2.340) e Formoso do Araguaia (1.633).

O secretário de Estado dos Povos Originários e Tradicionais, Ercivaldo Xerente, indígena do povo Akwê, ressalta que a criação da pasta trouxe mais visibilidade para as comunidades no Tocantins. “Nós avançamos ao levar várias ações para dentro das aldeias e também ao proporcionar intercâmbio cultural, com o protagonismo dos indígenas, inclusive em eventos internacionais. Essa foi a missão repassada pelo governador Wanderlei Barbosa, fazer com que as comunidades indígenas se desenvolvam com mais dignidade”, enfatiza.

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Os rituais milenares são uma forma de as comunidades originárias manterem viva a cultura. Entre os eventos celebrados estão Hetohoky e Herèràwo, do povo Iny (Karajá), ritos de passagem dos meninos para a vida adulta, cheios de danças, cantos e cores, que reúnem centenas de pessoas nas aldeias Macaúba e Fontoura, localizadas na Ilha do Bananal.

“Um mês para que todos façam uma reflexão sobre a importância dos povos indígenas, da cultura, da linguística e de sua organização sociocultural. Para nós indígenas, é muito importante a presença da Sepot em todos os territórios do estado. O Tocantins tem avançado muito, principalmente no reconhecimento e valorização das comunidades originárias e tradicionais”, concluiu o diretor de proteção aos povos indígenas da Sepot, Rogério Xerente.

Etnias

O Tocantins é habitado por diferentes etnias, entre elas: Javaé, Awa Canoeiro, Tuxá, Krahô-Kanela, Karajá, Krahô, Xambioá, Kanela, Xerente, Apinajé, Fulni-ô, Pankararu, Guarani, Karajá da Ilha, Warao.

O povo Xerente, autodenominado Akwê, pertence ao tronco linguístico Macro-Jê. Vive às margens do rio Tocantins, no município de Tocantínia, em várias aldeias da região.

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Já o povo Javaé, autodenominado Inỹ, habita a Ilha do Bananal, principalmente às margens do rio Javaés, vivendo em 18 aldeias nas Terras Indígenas Parque do Araguaia.

Também do povo Inỹ, os Karajá estão na Ilha do Bananal. São conhecidos por sua cultura profundamente conectada à água. Vivem em diversas aldeias, como Santa Isabel e Fontoura.

Os Xambioá estão principalmente na região de Santa Fé do Araguaia. Assim como o povo Karajá e Javaé, eles formam o povo Inỹ, com os mesmos costumes e língua.

Os Krahô são falantes da língua Jê e estão principalmente nos municípios de Goiatins e Itacajá. São conhecidos por suas aldeias circulares, corridas de tora e valorização das sementes tradicionais.

Os Kanela do Tocantins foram reconhecidos como indígenas recentemente, graças ao trabalho desenvolvido pela Sepot e residem na aldeia Crim Patehi, localizada no município de Lagoa da Confusão.

                 

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