Instituto Histórico e Geográfico
Instituto Histórico e Geográfico do Tocantins é fundado em Palmas com a missão de preservar e promover o patrimônio cultural do estado
Publicado em
24 de novembro de 2024por
Redação
Um marco na valorização da identidade cultural tocantinense foi estabelecido com a criação do Instituto Histórico e Geográfico do Tocantins (IHGT). A entidade, sem fins lucrativos, tem como propósito preservar a memória do estado, fomentar estudos e pesquisas, salvaguardar documentos históricos e fortalecer a conexão da sociedade com as riquezas culturais, especialmente nas comunidades tradicionais.
A fundação do instituto foi oficializada na quinta-feira, 21, durante uma cerimônia no Palácio Araguaia José Wilson Siqueira Campos, em Palmas. O evento contou com as presenças de alguns dos sócios-fundadores, como o presidente do IHGT e secretário da Igualdade Racial, Adão Francisco; o vice-presidente Nilson Jaime; o secretário-chefe da Casa Divil Deocleciano Gomes e o secretário da Cultura Tião Pinheiro.
O IHGT nasce com a missão de atuar como guardião do patrimônio tocantinense com a conservação de documentos, cartas, mapas e outros materiais de valor histórico. Além disso, o instituto se propõe a fomentar iniciativas que valorizem a diversidade cultural do estado, com ênfase nos povos originários, comunidades quilombolas e outras tradições que compõem o mosaico cultural do Tocantins.
O presidente da entidade Adão Francisco destacou que as estratégias prioritárias do instituto incluem a construção de parcerias interinstitucionais com órgãos públicos, como o Governo do Estado, prefeituras, Assembleia, Tribunal de Justiça, Ministério Público e universidades, além de dialogar com a sociedade civil e buscar apoio da iniciativa privada. Ele ressaltou que um dos primeiros desafios será garantir a estrutura física da sede do IHGT, e que a experiência de outros institutos, como o IHGG em Goiás, será uma referência na busca por soluções.
“No Estado de Goiás, por exemplo, o IHGG celebrou um convênio com uma cooperativa de crédito que permitiu uma ampla reforma de sua sede, a expansão de todo o acervo do instituto e a manutenção dos serviços prestados. Então, não mediremos esforços para que o IHGT possa se tornar um grande instituto desde a sua concepção”, disse.
O secretário da Igualdade Racial também enfatizou que o instituto terá um papel ativo na integração da sociedade tocantinense, com iniciativas como debates, oficinas, minicursos e exposições. “ O IHGT surge para ser um espaço de referência na salvaguarda da história, da memória, da cultura e do patrimônio material e imaterial do Tocantins a serviço da sociedade”, pontuou.
“O presidente do IHGT, Adão Francisco, já iniciou os trabalhos para consolidar a atuação da instituição. Ele designou três sócios-fundadores para organizar a primeira edição da Revista do IHGT, que será dedicada a artigos científicos e culturais sobre o Tocantins, com foco especial nos Povos Originários e Tradicionais, guardiões das raízes e da memória do estado”, disse o vice-presidente, Nilson Jaime. Ele explicou ainda que o instituto foi criado para promover estudos e pesquisas voltados à produção de trabalhos científicos e culturais em diversas áreas, como história, geografia, sociologia, antropologia, arqueologia, filosofia, educação, jornalismo, arquitetura e meio ambiente.
“Último estado a criar seu instituto histórico e geográfica, o Tocantins fecha um ciclo de sua importante trajetória de luta, criação e implantação. O IHGT chega para reforçar os esforços de preservação histórica e fomento cultural como nos orienta o governador Wanderlei Barbosa. É uma honra fazer parte de mais um marco na linda história tocantinense”, disse o secretário estadual da Cultura Tião Pinheiro.
Estrutura
Os sócios-fundadores ocuparam as primeiras 16 cadeiras do IHGT, cada uma representada por um patrono. Entre eles estão Joaquim Theotônio Segurado, o primeiro patrono, e Raimunda Gomes da Silva, a “Raimunda Quebradeira de Coco”, símbolo da luta e resistência cultural no Tocantins.
Além dos fundadores, o instituto prevê até 50 cadeiras titulares e destaca patronos de renome, como José Wilson Siqueira Campos, político e figura central na criação do Tocantins, na Cadeira 17; José Gomes Sobrinho, personagem importante da cultura tocantinense, na Cadeira 19; e Dona Miúda Matos, líder do Quilombo Mumbuca no Jalapão, na Cadeira 26.
Conheça os sócios-fundadores
Adão Francisco de Oliveira (Cadeira 1: Patrono: Joaquim Theotônio Segurado)
Nilson Gomes Jaime (Cadeira 2: Patrono: Pe. Luiz Gonzaga de Camargo Fleury)
Ariel Elias do Nascimento (Cadeira 3: Patrona: Juliana Ricarte Ferraro)
Rogério Castro Ferreira (Cadeira 4: Patrono: Geraldo Silva Filho)
Ubiratan Francisco de Oliveira (Cadeira 5: Patrono: Flávio Moreira)
Roberto de Souza Santos (Cadeira 6: Patrono: José Ramiro Lamadrid Marón)
Wélere Gomes Barbosa (Cadeira 7: Patrona: Juscéia Aparecida Veiga Garbelini)
Ricardo Júnior de Assis Fernandes Gonçalves (Cadeira 8: Patrona: Anna Britto Miranda)
Waldecy Rodrigues (Cadeira 9: Patrono: Monsenhor Rui Cavalcante Barbosa)
José Sebastião Pinheiro de Souza (Cadeira 10: Patrona: Ana Braga)
Cejane Pacini Leal Muniz (Cadeira 11: Patrona: Isabel Pereira Auler)
Rejane Cleide Medeiros de Almeida (Cadeira 12: Patrona: Lucelina dos Santos – “Dona Juscelina”)
Jales Guedes Coelho Mendonça (Cadeira 13: Patrono: Jaime Câmara)
Jorge Henrique Pereira Cartaxo de Arruda (Cadeira 14: Patrono: Paulo Bertran Chaibub)
Lenora de Castro Barbo (Cadeira 15: Patrono: Thomaz de Souza Villa Real)
Maria José Alves Cotrim Jacob (Cadeira 16) Patrona: Raimunda Gomes da Silva (“Raimunda Quebradeira de Coco”)
CULTURA
Tocantins apresenta diversidade cultural na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura
Published
3 horas atráson
26 de maio de 2026By
Redação
A participação do Tocantins na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada entre os dias 19 e 24 de maio, em Aracruz, no Espírito Santo, evidenciou a diversidade cultural do estado em diferentes linguagens. Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, o encontro reuniu representantes de todo o país em uma programação com mais de 200 atividades, distribuídas nos espaços temáticos do Centro de Turismo Social e Lazer Sesc Praia Formosa.
Além dos delegados e delegadas escolhidos para representar o Tocantins nas discussões, fóruns e grupos de trabalho, a presença tocantinense também foi marcada por artistas, mestres, comunicadores, artesãos e expositores selecionados pelo edital de programação do Ministério da Cultura.
Artes visuais e religiosidade tocantinense
Entre os representantes do estado esteve o artista visual Elpídio de Paula Neto, especialista em desenho pirografado. Na Teia Nacional, ele apresentou a exposição ‘Um mergulho do sagrado na cultura tradicional do Tocantins’, reunindo obras que aproximam arte sacra, religiosidade e referências da cultura popular tocantinense.
“Estou muito feliz em participar da 6ª Teia Nacional representando o meu estado. É uma alegria muito grande poder trazer o meu trabalho e apresentar esta exposição. Eu já trabalho com arte sacra e arte religiosa, mas, nesta exposição, quis trazer também os nossos mestres e mestras da cultura tradicional e popular com esse viés do sagrado. Porque não tem como falar da cultura tradicional do Tocantins sem falar de religiosidade, misticismo, arte e cultura. Tudo isso atravessa as nossas manifestações”, destacou.
Elpídio também explicou que parte das obras foi criada a partir de fotografias de Emerson Silva, em um processo de releitura visual. “Era algo que eu queria fazer há muito tempo. Pedi autorização ao Emerson para transformar algumas fotografias dele em trabalhos meus, e ele me deixou à vontade para criar. Então, quem é do Tocantins vai reconhecer referências como Dona Romana, Mãe Felisberta, nossos mestres, mestras, povos originários, povos indígenas e povos de terreiro. É uma forma de fazer com que essas referências brilhem aqui na Teia. Eu carrego o meu estado comigo, e trazer tudo isso para esse espaço é muito especial”, afirmou Elpidio.
Comunicação colaborativa e exposição fotográfica
O Tocantins também esteve presente na comunicação colaborativa da Teia Nacional com a participação do artista Fernando Amazônia. Além de contribuir com registros durante o evento, ele apresentou a exposição fotográfica ‘Água é Vida’, voltada à relação das comunidades tradicionais e dos povos originários com a água.
“É muito importante estar na Teia Nacional, um evento que reúne a cultura do povo brasileiro e mostra que o Tocantins também está presente. Trouxemos a exposição ‘Água é Vida’, que fala da relação das comunidades tradicionais e dos povos originários com a água, com os rios Tocantins e Araguaia, e com povos como os Javaé e Xerente. Também participo da comunicação colaborativa da Teia, registrando, partilhando e contribuindo para trazer a cultura do Tocantins para este encontro”, afirmou Fernando Amazônia.
Feira criativa
A economia criativa também teve representantes tocantinenses na Teia, com artesãs de Babaçulândia e Tocantínia. A artesã Sebastiana Pereira, do Ponto de Cultura Ubuntu, de Babaçulândia, representou o estado comercializando peças produzidas a partir de matérias-primas naturais, como palha, coité, sementes e outros elementos encontrados na natureza.
“Sempre que ando pelo mato, pelo sítio ou pelas chácaras, meu olhar já procura alguma coisa que possa virar arte. Ser artesã é um dom muito especial. Às vezes as pessoas perguntam como a gente faz uma peça, e nem a gente sabe explicar direito. É um trabalho difícil, que exige esforço, mas por onde o artesão passa ele enxerga uma matéria-prima e já imagina o que pode criar. Sou muito grata por estar aqui, fomos muito bem acolhidas e as vendas têm sido muito boas desde o primeiro dia. É uma alegria poder apresentar nosso trabalho na Teia”, afirmou.
Também selecionada pelo edital para expor na Teia, a artesã Iraci Krukwane Xerente, do povo Akwẽ-Xerente, da Aldeia Salto, em Tocantínia, levou peças produzidas em capim-dourado e costuradas com fibra de buriti.
Literatura, cura e saberes quilombolas
O Tocantins ainda marcou presença na área da literatura com a participação da mestra raizeira de Natividade, Felisberta Ferreira, conhecida como Dona Feliz. Guardiã de saberes tradicionais ligados ao uso das plantas medicinais, à cura e ao bem viver, ela levou à Teia 2026 a experiência do livro A Mata que Cura – Saberes Quilombolas de Curar e Bem Viver, lançado durante a Teia Estadual.
A produtora cultural Liu Moreira, da Associação de Arte Ninho Cultural, que acompanhou Dona Feliz na programação, destacou a importância da presença da mestra na Teia. “A gente fez a inscrição de Dona Felisberta como representante da cultura popular e tradicional do Tocantins. Ela, que é de Natividade, vem apresentar essa experiência na Teia Nacional e participar de uma roda de conversa sobre a concepção do trabalho e sobre o significado de estar neste evento. O livro ‘A Mata que Cura’ foi lançado na comunidade dela, durante a Teia Estadual, e agora é uma honra ver essa trajetória fazer parte da programação nacional”, destacou Liu Moreira.
A mestra raizeira explicou que o livro nasceu da sua relação com as plantas medicinais, com o meio ambiente e com os saberes tradicionais preservados ao longo da vida.
“Eu tenho uma paixão muito grande pelo meio ambiente e pelas plantas medicinais. Sou benzedeira, sou raizeira, e levo esse conhecimento por onde eu passo, porque a cura também está na mata. Sou uma defensora do meio ambiente e faço o meu trabalho de cuidado, oração e proteção do jeito que posso. Escrever esse livro foi como uma gestação, com alegria, mas também com dificuldades, até chegar o momento em que ele nasceu. Deus colocou na minha vida o pessoal do Ninho Cultural, especialmente a Liu. Tinha dia que eu dizia que não queria mais saber de livro, e ela ficava quieta, deixava a poeira baixar e depois voltava. Com a paciência e a persistência dela, nasceu ‘A Mata que Cura’,” contou Dona Felis.
Durante a programação, Dona Feliz também apresentou ao público raízes, xaropes, sementes e outros elementos provenientes do Cerrado brasileiro, compartilhando conhecimentos ligados aos modos tradicionais de cura e cuidado.
Hip-hop tocantinense
A cultura hip-hop do Tocantins ocupou o Salão Madri com uma programação dedicada à música, à poesia e ao debate. A atividade reuniu exibições, intervenções musicais e mediação cultural, propondo reflexões sobre periferia, território, juventude, expressão urbana e justiça climática.
Proposta pelo Coletivo Cidade Perifa, de Palmas, a programação contou com a exibição do curta ‘O Som de Lá – Cidade Perifa em Reflexão, Formação e Debate’, produção participativa dirigida por Caio Bretas, e do documentário Cypher Rua Norte, dirigido por Erval Benmuyal.
A atividade também teve participação de Mano Jozy, Rossana Iuna, DJ Dallag Beats, DJ Drika, Michael Brankin e intervenção poéticas com Ganjo Negro, reunindo diferentes vozes da cena cultural tocantinense.
Desfile, moda e identidade amazônica
As tocantinenses Vanessa Gonçalves e Socorro Sousa também participaram da programação como convidadas da performance cênica ‘Trama: Desfile Manifesto Amazonense’, projeto coletivo que une moda, território, identidade e posicionamento político.
Criado em Manaus pela produtora Glícia Cáuper, o desfile propõe uma reflexão sobre os trabalhadores invisibilizados do universo têxtil. Durante a apresentação, os participantes carregam cartazes com frases como “Eu costurei essa roupa” e “Eu colori sua roupa”, dando visibilidade a quem atua nos bastidores da produção de moda e evidenciando o trabalho manual, criativo e coletivo presente nas peças.
Tradição popular no palco
A presença tocantinense na programação foi encerrada no Palco Folia de Reis, que recebeu o Pontão de Cultura Tambores do Tocantins. Márcio Belo e banda apresentaram músicas tradicionais tocantinenses, incluindo a suça e outros ritmos ligados às manifestações populares do estado.
A apresentação contou ainda com a participação do mestre Dorivã, o Passarim do Jalapão, e terminou com uma grande roda de celebração, reunindo artistas, participantes e público em um momento de festejo e partilha.
A participação tocantinense na Teia Nacional dos Pontos de Cultura reuniu diferentes expressões, territórios e saberes do estado, evidenciando a força dos coletivos que mantêm a diversidade cultural do estado.
Mais registros da programação podem ser acompanhados nas redes sociais da Secretaria de Estado da Cultura, pelo perfil @culturato.

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