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Conselho de Políticas Culturais

Conselho de Políticas Culturais do Tocantins empossa suplentes e aprova calendário anual de atividades

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O Conselho de Políticas Culturais do Tocantins (CPC-TO) realizou nesta quarta-feira, 26,  sua 2ª Reunião Ordinária do biênio 2024-2026, no auditório do Corpo de Bombeiros Militar em Palmas. O encontro, que reuniu representantes do governo e da sociedade civil, debateu pautas prioritárias para a cultura tocantinense, como o andamento do Plano de Aplicação Financeira para 2025, a definição de representantes para feiras nacionais de artesanato e o calendário da entidade. Durante a agenda, também foram empossados os conselheiros suplentes das setoriais de Artes Visuais, Artesanato, Patrimônio Material, Audiovisual, Cultura Popular e Literatura, e o titular da setorial da Musica.


O secretário de Cultura do Tocantins, Tião Pinheiro, destacou o papel do Conselho de Políticas Culturais e reforçou os desafios na gestão. “Aqui é o espaço adequado para a comunidade trazer suas demandas. É onde devemos discutir os temas e ajudar a gestão a tomar as melhores decisões”, afirmou. O gestor lembrou que o diálogo com a sociedade civil é necessário. “Não é um trabalho unilateral. Os conselheiros e fazedores de cultura têm papel fundamental nesse processo”, disse.


O secretário também reconheceu os desafios operacionais. “O Governo do Tocantins trabalha intensamente, mas nem sempre temos a estrutura ideal. Mesmo assim, estamos na liderança de recursos, a exemplo da utilização de 94,6% da verba da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab)”. Ele ainda informou as ações realizadas pela pasta com recursos do Fundo Estadual de Cultura (FEC), como os seminários de Livro, Leitura e Literatura; Arquivos Históricos Documentais e Economia Criativa.


Ao dar informes gerais, o superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura, Antonio Miranda, explanou os avanços do MovCEU pelo estado. Em operação há duas semanas, o equipamento cultural itinerante já percorreu os municípios de Monte do Carmo e Natividade, levando biblioteca,  audiovisual e acesso à tecnologia para comunidades distantes da capital.

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O professor explicou que o projeto está em sua primeira fase com visitas programadas a oito municípios tocantinenses. “Ele [MovCEU] serve para atender comunidades que não têm acesso a essas ações. Um dos objetivos é fomentar a cultura nas localidades com a participação popular, para que eles possam expressar sua cultura”, explicou.

Além disso,  durante os informes também foram destacados o andamento de outros pontos importantes, como a realização  da 1ª Feira de Negócios do Artesanato do Tocantins (Fenartto), evento que ocorrerá em maio durante a Agrotins; a participação do estado no Salão do Artesanato de São Paulo e o Plano de Aplicação Financeira (PAF), em fase de ajustes.


Ao dar início as pautas, o presidente do CPC-TO, Elpídio De Paula, reforçou o papel dos representantes da sociedade civil nas decisões da entidade. “É fundamental que os representantes das setoriais participem ativamente, porque os conselheiros da sociedade civil são a voz, são a vez. Eles fazem com que as setoriais se tornem presentes no conselho e, estando presentes, dão voz e vez aos fazedores de arte e cultura de todo o estado”, disse.

Na sequência, a conselheira Valdirene Oliveira leu a ata da reunião anterior, aprovada por unanimidade pelos presentes. Ainda na ocasião, foram empossados os conselheiros suplentes: Núbia Martins,  eleita 2ª secretária do Conselho (poder público); Vanessa Gonçalves (Artes Visuais), Wanderley Batista (Artesanato), Ariane Braga (Patrimônio Material), Luiz Otávio (Patrimônio Imaterial), Luís Felipe (Audiovisual), Robenildo Araújo (Música), Raimundo Oliveira (Cultura Popular), Dinah Rodrigues (Literatura). O conselheiro titular Sérgio Roberto dos Santos (Dança) e Wertemberg Nunes conselheiro convidado (Ordem dos Músicos) também assinaram o termo.

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Também ficou definido, por votação, que as reuniões ordinárias ocorrerão bimestralmente, com possibilidade de convocações extraordinárias quando necessário. Além disso, os conselheiros elegeram a conselheira suplente Vanessa Gonçalves e a conselheira titular Rosane Balsan para o acompanhamento do Salão do Artesanato de São Paulo. 
Outro ponto discutido durante a reunião foi a denúncia de um possível uso irregular do Museu de Arraias, feito pela Câmara Setorial de Patrimônio Material.

Dinara Prado, assessora jurídica da Secretaria da Cultura e conselheira suplente no CPC, informou que o caso já foi formalmente encaminhado à pasta para as devidas providências. Após debate, os conselheiros também aprovaram por nove votos a elaboração de um documento oficial requisitando uma auditoria completa no museu, que é atualmente gerido pelo município. O ofício será enviado à Secult pela presidência do conselho.


Dando continuidade as pautas da reunião, Maria Lúcia Rocha, da Câmara Setorial de Cultura Popular, também colocou em pauta a importância da recuperação de espaços culturais para uso da comunidade artística. Na oportunidade, a secretária-executiva e conselheira suplente, Valéria Kurovski, trouxe mais informações sobre as previsões do uso de parte do plano de aplicação financeira para manutenção de espaços, abordando ainda a recuperação de mais de 200 peças do acervo artístico da secretaria, que estão atualmente sendo catalogadas.


Valéria também orientou sobre a importância da participação ativa dos conselheiros: “É importante que titulares e suplentes tenham em mente que não são vozes solitárias no conselho, mas representantes de todo seu segmento. As propostas trazidas aqui devem ser discutidas e aprovadas previamente em reuniões setoriais com ampla participação”, finalizou.

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CULTURA

Tocantins apresenta diversidade cultural na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura

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A participação do Tocantins na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada entre os dias 19 e 24 de maio, em Aracruz, no Espírito Santo, evidenciou a diversidade cultural do estado em diferentes linguagens. Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, o encontro reuniu representantes de todo o país em uma programação com mais de 200 atividades, distribuídas nos espaços temáticos do Centro de Turismo Social e Lazer Sesc Praia Formosa.

 

Além dos delegados e delegadas escolhidos para representar o Tocantins nas discussões, fóruns e grupos de trabalho, a presença tocantinense também foi marcada por artistas, mestres, comunicadores, artesãos e expositores selecionados pelo edital de programação do Ministério da Cultura.

 

Artes visuais e religiosidade tocantinense

 

Entre os representantes do estado esteve o artista visual Elpídio de Paula Neto, especialista em desenho pirografado. Na Teia Nacional, ele apresentou a exposição ‘Um mergulho do sagrado na cultura tradicional do Tocantins’, reunindo obras que aproximam arte sacra, religiosidade e referências da cultura popular tocantinense.

 

“Estou muito feliz em participar da 6ª Teia Nacional representando o meu estado. É uma alegria muito grande poder trazer o meu trabalho e apresentar esta exposição. Eu já trabalho com arte sacra e arte religiosa, mas, nesta exposição, quis trazer também os nossos mestres e mestras da cultura tradicional e popular com esse viés do sagrado. Porque não tem como falar da cultura tradicional do Tocantins sem falar de religiosidade, misticismo, arte e cultura. Tudo isso atravessa as nossas manifestações”, destacou.

 

Elpídio também explicou que parte das obras foi criada a partir de fotografias de Emerson Silva, em um processo de releitura visual. “Era algo que eu queria fazer há muito tempo. Pedi autorização ao Emerson para transformar algumas fotografias dele em trabalhos meus, e ele me deixou à vontade para criar. Então, quem é do Tocantins vai reconhecer referências como Dona Romana, Mãe Felisberta, nossos mestres, mestras, povos originários, povos indígenas e povos de terreiro. É uma forma de fazer com que essas referências brilhem aqui na Teia. Eu carrego o meu estado comigo, e trazer tudo isso para esse espaço é muito especial”, afirmou Elpidio.

 

Comunicação colaborativa e exposição fotográfica

 

O Tocantins também esteve presente na comunicação colaborativa da Teia Nacional com a participação do artista Fernando Amazônia. Além de contribuir com registros durante o evento, ele apresentou a exposição fotográfica ‘Água é Vida’, voltada à relação das comunidades tradicionais e dos povos originários com a água.

 

“É muito importante estar na Teia Nacional, um evento que reúne a cultura do povo brasileiro e mostra que o Tocantins também está presente. Trouxemos a exposição ‘Água é Vida’, que fala da relação das comunidades tradicionais e dos povos originários com a água, com os rios Tocantins e Araguaia, e com povos como os Javaé e Xerente. Também participo da comunicação colaborativa da Teia, registrando, partilhando e contribuindo para trazer a cultura do Tocantins para este encontro”, afirmou Fernando Amazônia.

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Feira criativa

 

A economia criativa também teve representantes tocantinenses na Teia, com artesãs de Babaçulândia e Tocantínia. A artesã Sebastiana Pereira, do Ponto de Cultura Ubuntu, de Babaçulândia, representou o estado comercializando peças produzidas a partir de matérias-primas naturais, como palha, coité, sementes e outros elementos encontrados na natureza.

 

“Sempre que ando pelo mato, pelo sítio ou pelas chácaras, meu olhar já procura alguma coisa que possa virar arte. Ser artesã é um dom muito especial. Às vezes as pessoas perguntam como a gente faz uma peça, e nem a gente sabe explicar direito. É um trabalho difícil, que exige esforço, mas por onde o artesão passa ele enxerga uma matéria-prima e já imagina o que pode criar. Sou muito grata por estar aqui, fomos muito bem acolhidas e as vendas têm sido muito boas desde o primeiro dia. É uma alegria poder apresentar nosso trabalho na Teia”, afirmou.

 

Também selecionada pelo edital para expor na Teia, a artesã Iraci Krukwane Xerente, do povo Akwẽ-Xerente, da Aldeia Salto, em Tocantínia, levou peças produzidas em capim-dourado e costuradas com fibra de buriti.

 

Literatura, cura e saberes quilombolas

 

O Tocantins ainda marcou presença na área da literatura com a participação da mestra raizeira de Natividade, Felisberta Ferreira, conhecida como Dona Feliz. Guardiã de saberes tradicionais ligados ao uso das plantas medicinais, à cura e ao bem viver, ela levou à Teia 2026 a experiência do livro A Mata que Cura – Saberes Quilombolas de Curar e Bem Viver, lançado durante a Teia Estadual.

 

A produtora cultural Liu Moreira, da Associação de Arte Ninho Cultural, que acompanhou Dona Feliz na programação, destacou a importância da presença da mestra na Teia. “A gente fez a inscrição de Dona Felisberta como representante da cultura popular e tradicional do Tocantins. Ela, que é de Natividade, vem apresentar essa experiência na Teia Nacional e participar de uma roda de conversa sobre a concepção do trabalho e sobre o significado de estar neste evento. O livro ‘A Mata que Cura’ foi lançado na comunidade dela, durante a Teia Estadual, e agora é uma honra ver essa trajetória fazer parte da programação nacional”, destacou Liu Moreira.

 

A mestra raizeira explicou que o livro nasceu da sua relação com as plantas medicinais, com o meio ambiente e com os saberes tradicionais preservados ao longo da vida.

 

“Eu tenho uma paixão muito grande pelo meio ambiente e pelas plantas medicinais. Sou benzedeira, sou raizeira, e levo esse conhecimento por onde eu passo, porque a cura também está na mata. Sou uma defensora do meio ambiente e faço o meu trabalho de cuidado, oração e proteção do jeito que posso. Escrever esse livro foi como uma gestação, com alegria, mas também com dificuldades, até chegar o momento em que ele nasceu. Deus colocou na minha vida o pessoal do Ninho Cultural, especialmente a Liu. Tinha dia que eu dizia que não queria mais saber de livro, e ela ficava quieta, deixava a poeira baixar e depois voltava. Com a paciência e a persistência dela, nasceu ‘A Mata que Cura’,” contou Dona Felis.

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Durante a programação, Dona Feliz também apresentou ao público raízes, xaropes, sementes e outros elementos provenientes do Cerrado brasileiro, compartilhando conhecimentos ligados aos modos tradicionais de cura e cuidado.

 

Hip-hop tocantinense

 

A cultura hip-hop do Tocantins ocupou o Salão Madri com uma programação dedicada à música, à poesia e ao debate. A atividade reuniu exibições, intervenções musicais e mediação cultural, propondo reflexões sobre periferia, território, juventude, expressão urbana e justiça climática.

 

Proposta pelo Coletivo Cidade Perifa, de Palmas, a programação contou com a exibição do curta ‘O Som de Lá – Cidade Perifa em Reflexão, Formação e Debate’, produção participativa dirigida por Caio Bretas, e do documentário Cypher Rua Norte, dirigido por Erval Benmuyal.

 

A atividade também teve participação de Mano Jozy, Rossana Iuna, DJ Dallag Beats, DJ Drika, Michael Brankin e intervenção poéticas com Ganjo Negro, reunindo diferentes vozes da cena cultural tocantinense.

 

Desfile, moda e identidade amazônica

 

As tocantinenses Vanessa Gonçalves e Socorro Sousa também participaram da programação como convidadas da performance cênica ‘Trama: Desfile Manifesto Amazonense’, projeto coletivo que une moda, território, identidade e posicionamento político.

 

Criado em Manaus pela produtora Glícia Cáuper, o desfile propõe uma reflexão sobre os trabalhadores invisibilizados do universo têxtil. Durante a apresentação, os participantes carregam cartazes com frases como “Eu costurei essa roupa” e “Eu colori sua roupa”, dando visibilidade a quem atua nos bastidores da produção de moda e evidenciando o trabalho manual, criativo e coletivo presente nas peças.

 

Tradição popular no palco

 

A presença tocantinense na programação foi encerrada no Palco Folia de Reis, que recebeu o Pontão de Cultura Tambores do Tocantins. Márcio Belo e banda apresentaram músicas tradicionais tocantinenses, incluindo a suça e outros ritmos ligados às manifestações populares do estado.

 

A apresentação contou ainda com a participação do mestre Dorivã, o Passarim do Jalapão, e terminou com uma grande roda de celebração, reunindo artistas, participantes e público em um momento de festejo e partilha.

 

A participação tocantinense na Teia Nacional dos Pontos de Cultura reuniu diferentes expressões, territórios e saberes do estado, evidenciando a força dos coletivos que mantêm a diversidade cultural do estado.

 

Mais registros da programação podem ser acompanhados nas redes sociais da Secretaria de Estado da Cultura, pelo perfil @culturato.

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