Bruno Azevedo passou boa parte da vida profissional do outro lado da política. Como delegado da Polícia Civil, investigou corrupção, lavagem de dinheiro e organizações criminosas. Depois, trocou a rotina policial pelo comando da Secretaria da Segurança Pública do Tocantins. Agora, aos 17 anos de carreira, prepara uma mudança de papel: quer deixar a condição de servidor e gestor para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Natural de Paraíso do Tocantins, Azevedo pertence a uma geração de delegados que ganhou espaço na Polícia Civil a partir do fim dos anos 2000. Formado em Direito pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e especialista em Direito Público, ingressou na carreira em 2009.
Foi na área de combate à corrupção que construiu parte relevante do currículo. Atuou em investigações contra desvios de recursos públicos e organizações criminosas e participou da criação do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro. Também esteve na implantação da primeira Delegacia Especializada de Combate à Corrupção do Tocantins.
A carreira policial ganhou uma frente corporativa em 2021, quando Azevedo assumiu a presidência do Sindicato dos Delegados de Polícia do Tocantins. Ficou no cargo até 2024, período em que passou a ter presença mais frequente nos debates públicos sobre estrutura da Polícia Civil, condições de trabalho e política de segurança.
O passo seguinte foi para dentro do Palácio Araguaia.
Em janeiro de 2025, Azevedo assumiu a Secretaria de Estado da Segurança Pública. A mudança colocou o delegado diante de uma função diferente daquela exercida nas delegacias: em vez de investigar crimes, passou a administrar orçamento, estrutura, pessoal e políticas para uma das áreas mais sensíveis do governo.
Sua passagem pela pasta teve como uma das principais entregas a renovação de parte da frota, com 111 viaturas para a Polícia Civil e a Polícia Científica. Também foram inauguradas as instalações do Complexo de Delegacias de Taquaralto, em Palmas.
Outro ponto da gestão que Azevedo leva para o currículo político é a autorização de concurso para 452 vagas na Polícia Civil. A seleção foi anunciada depois de mais de dez anos sem concurso para novos policiais civis no Tocantins, uma demanda antiga das categorias que compõem a instituição.
Na mesma passagem pela SSP, foram desenvolvidos o Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher e o primeiro mestrado destinado a policiais civis. A polícia também realizou um ciclo de operações contra integrantes de facções criminosas, área que passou a ocupar espaço crescente na agenda da segurança pública estadual.
A experiência no comando da secretaria durou menos que a carreira construída dentro da Polícia Civil, mas deu a Azevedo algo que a atividade policial, por si só, não oferecia: projeção política em escala estadual.
É justamente esse patrimônio que ele tenta levar para as urnas em 2026.
A pré-candidatura a deputado estadual representa a primeira tentativa de Azevedo de converter a experiência acumulada como delegado, dirigente sindical e secretário em votos. Seu ponto de partida é a segurança pública, área na qual construiu o nome e que pretende transformar no principal eixo de atuação caso chegue à Assembleia.
“Assumo esse desafio com responsabilidade e com a convicção de que é possível contribuir ainda mais com o Tocantins. A segurança pública precisa estar no centro das decisões, com planejamento, investimento e valorização dos profissionais”, afirmou.
A mudança de endereço, no entanto, depende do eleitor. Depois de passar pelas delegacias, pelo sindicato da categoria e pelo comando da Segurança Pública, Bruno Azevedo tenta agora chegar ao plenário da Assembleia Legislativa — desta vez, pelo voto.