Proporcionar a oportunidade concreta de mudança de vida, aumentando as chances de empregabilidade e oportunidade de ingresso no mundo profissional. Esse é um dos objetivos do curso Techinclusão, uma iniciativa inédita no Brasil, que vai ofertar capacitação tecnológica a custodiados do Sistema Penal tocantinense. A aula inaugural da qualificação ocorreu nesta sexta-feira, 23, na Unidade Penal Regional de Palmas (UPRP), com a presença do secretário executivo da Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), Hélio Marques, além de autoridades parceiras da iniciativa.
O Techinclusão é uma capacitação que visa oferecer uma formação tecnológica e inclusão social para pessoas em vulnerabilidade social, jovens, mulheres, pessoas negras, povos originários, comunidade LGBTQIA+, jovens em cumprimento de medidas socioeducativas e custodiados do Sistema Penal. No âmbito prisional, o curso objetiva novas possibilidades de inserção no mercado de trabalho, com a oferta de três áreas de capacitação voltadas à tecnologia como Criação de Sites, Programação de Serviços Web e Desenvolvimento Mobile.
Durante a aula inaugural, o secretário executivo da Seciju, Hélio Marques, enfatizou a relevância do programa, destacando que o curso representa uma oportunidade única para os custodiados adquirirem habilidades tecnológicas em um cenário onde a demanda por profissionais qualificados na área de TI está em crescimento. “Estamos criando oportunidades reais de transformação, proporcionando não apenas uma qualificação técnica, mas também um caminho para a reintegração e a construção de um futuro melhor quando finalizarem a pena”, afirmou.
A iniciativa representa um marco no Tocantins, destacando-se como pioneira na integração de tecnologia e reabilitação profissional, e foge dos cursos convencionais ofertados no Sistema Penitenciário Nacional, sendo as Unidades Penais tocantinenses, pioneiras na oferta deste tipo de piloto aqui no Estado.
Parcerias e importância da capacitação
A realização do Techinclusão nas Unidades Penais do Estado, é fruto de uma colaboração entre a Seciju por meio da Superintendência dos Sistemas Penitenciário e Prisional, a Universidade Federal do Tocantins (UFT), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e o Poder Judiciário. Esta união de esforços reflete o compromisso com a inovação e a inclusão social, destacando a importância de ações integradas para o sucesso da iniciativa.
O gerente de Políticas de Alternativas Penais, Thiago Sabino, explicou para os participantes como o projeto visa preparar o indivíduo para a evolução da pena. “Neste primeiro momento, serão disponibilizadas 50 vagas, sendo 40 para as unidades masculinas e 10 vagas para as femininas. Esses cursos são mais complexos e envolvem um aprendizado que vai desde o inglês básico ao português, fora as outras ferramentas que serão trabalhadas nesse período com vocês. Então a Gerência viu a possibilidade de vocês, como futuros pré-egressos do Sistema Penitenciário, terem mais oportunidades no mercado de trabalho. Saibam que não foi fácil, e aquilo que não é fácil e traz desafios, proporciona uma maior vitória, traz uma maior vertente, acima de tudo, de reconhecimento”, reforçou.
O professor e coordenador Geral do Projeto Techinclusão, George França, também falou da importância em proporcionar a capacitação. “A nossa missão é capacitar, formar as pessoas e trabalhar com a educação. Então, enquanto universidade, eu venho aqui de coração aberto e muito esperançoso de que a gente consiga construir, através desse projeto, um grande projeto educacional e um grande projeto de qualificação profissional”, afimou o professor.
Estiveram na aula inaugural, o superintendente dos Sistemas Penitenciário e Prisional, Rogério Gomes; o diretor de Administração e Operações do Sistema Penitenciário e Prisional, Cleber Solano; o gerente de Reintegração Social, Trabalho e Renda ao Preso e Egresso, Dilson Noleto; o juiz da 4ª Vara Criminal, Alan Martins; o chefe da UPR de Palmas, Rodrigo Nascimento; coordenador Geral do Projeto Techinclusão, George França dos Santos; coordenador de Pólos do Projeto Techinclusão, Odilon Dorval da Cunha Klein, a especialista em treinamento de Conteúdo, Maria da Conceição; especialista em Formação de Instrutores, Janete Aparecida Klein; Supervisora de Polo Palmas 1, Ocirene Rodrigues; mobilizadora Social, Lurdiane Alves e a Instrutora, Luara Jaccold.
Sobre o Techinclusão
O Techinclusão: Capacitação Tecnológica para a Transformação Profissional é vinculado ao Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional (PMQ) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ele atende jovens de 16 a 29 anos, prioritariamente em situação de vulnerabilidade social, sendo conduzido por instrutores selecionados em parceria com os municípios, instituições parceiras e o governo do Estado.
A UFT coordena, desenvolve e executa o curso, proporcionando a expertise acadêmica e os recursos necessários para compartilhar os conteúdos didáticos, estruturar os módulos de ensino e garantir uma abordagem pedagógica de alta qualidade.