GURUPI

SECRETARIA DA MULHER

Elas tecem o Tocantins: mulheres que transformam cultura em memória, resistência e futuro

Publicado em

No Tocantins, a cultura tem voz de mulher. Está nas mãos que trançam o capim-dourado, nas vozes que cantam histórias do território, nos tambores que ecoam a ancestralidade quilombola, nos traços que desenham identidades e nas narrativas que ganham as telas do cinema. Neste Dia Internacional da Mulher, celebramos a força da mulher tocantinense, seja ela de alma ou coração, e a Secretaria da Cultura do Tocantins (Secult) destaca a trajetória dessas mulheres que constroem, preservam e projetam a cultura tocantinense para dentro e para fora do estado. 

 

São artistas, mestras da cultura, produtoras culturais, comunicadoras e lideranças que, com sensibilidade e coragem, transformam a arte em memória coletiva e em caminhos para o futuro. A partir das trajetórias de algumas dessas mulheres, reunimos relatos de quem preserva saberes, fortalece identidades e ajuda a contar a história cultural do Tocantins.

 

Mulher, guardiã de ancestralidade

 

Na cidade histórica de Natividade, a mestra da cultura Felisberta Pereira da Silva, liderança do quilombo Burangaba, dedica a vida à preservação da Suça, manifestação cultural de matriz afro-brasileira profundamente ligada à história do território.

 

Seu envolvimento com a cultura começou ainda jovem, observando familiares cantarem, dançarem e tocarem. Com o passar dos anos, percebendo que a tradição estava sendo esquecida, decidiu criar o Grupo de Suça ‘Mãe Ana’ para manter viva a dança e seus significados ancestrais. “Eu digo que a Suça é um chamado da nossa ancestralidade. Quando o tambor fala, a gente se liberta, se solta e volta para a nossa origem”, expressa.

 

Além das apresentações culturais, Felisberta também realiza palestras em escolas e comunidades, compartilhando saberes sobre identidade, história e valorização da cultura negra, perpetuando os conhecimentos para a nova geração de mulheres.

 

O artesanato como resistência e sustento

 

A história da artesã Maria Bonfim Moreira de Souza é cheia de coragem e reinvenção. Sua trajetória na cultura começou no início dos anos 2000, quando a vida familiar foi atravessada por um desafio inesperado: a doença do marido. Foi nesse contexto que o artesanato se tornou não apenas expressão cultural, mas também caminho de sobrevivência. O marido, Walter Camelo Rocha, criou o primeiro relógio em capim-dourado da família, e Maria passou a produzir e vender peças em feiras da capital.

 

Entre dificuldades para conquistar espaço de comercialização e a necessidade de conciliar trabalho, casa e cuidados com o marido em tratamento, ela encontrou no artesanato uma forma de manter a família. Hoje, além de seguir produzindo, Maria Bonfim também ocupa posições de liderança, como presidente da Federação do Artesanato do Tocantins (Fecarte). 

 

“O artesanato foi uma porta que encontrei para cuidar da casa, dos filhos e do tratamento do meu marido. Hoje sigo levando o nome do Tocantins por onde passo, mostrando a riqueza do nosso capim-dourado”, conta. Para ela, o crescimento da presença feminina na cultura é visível, mas ainda é necessário ampliar o apoio e garantir oportunidades para novas artesãs.

 

Um canto de identidade 

 

Natural de Rio Sono, na região do Jalapão, Núbia Dourado encontrou na música o primeiro caminho para a cultura ainda na adolescência. Cantora desde os 14 anos, ela começou se apresentando em escolas, igrejas e eventos comunitários, incentivada pela família. Ao longo dos anos, ampliou sua atuação como comunicadora e produtora cultural, sempre com o objetivo de valorizar talentos locais.

Leia Também:  Em Brasília, Wanderlei Barbosa reforça importância da PEC da Segurança Pública após alterações propostas por governadores

 

Sua trajetória também é marcada pela defesa da identidade e da representatividade, especialmente como mulher negra. “A cultura sempre foi para mim um espaço de expressão, resistência e transformação. A música ‘Galega Preta’ representa essa afirmação da identidade da mulher negra”, explica.

 

Além do trabalho artístico, Núbia também apresenta o programa “De Papo com Núbia Dourado”, em que entrevista artistas e divulga produções culturais do Tocantins, proporcionando um espaço de voz para outras mulheres no Estado.

 

Arte ancestral que contempla as novas linguagens

 

A ilustradora Winny Tapajós, de 29 anos, representa uma geração de artistas que transitam entre o território local e o cenário criativo nacional. Formada pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), ela começou a trabalhar com ilustração e design para grandes marcas e instituições, como a Natura, Farm e o Museu do Amanhã, sempre levando consigo referências culturais da região Norte.

 

Filha de uma família de origem indígena do território Cobra Grande, no Pará, Winny carrega na própria trajetória as inspirações que alimentam sua arte e encontrou no Tocantins espaço de referência e continuidade. 

 

“Sempre que posso, faço questão de dizer que sou do Tocantins. É importante mostrar que temos talentos tão grandes quanto de qualquer lugar do Brasil”, afirma. Hoje ela desenvolve projetos autorais e uma loja de criações próprias, espaço que considera fundamental para expressar sua identidade artística com liberdade.

 

Histórias do Tocantins para o mundo

 

Filha de vaqueiro e quebradeira de coco, a cineasta Eva Pereira, transformou as histórias que ouvia na infância em uma trajetória marcante no audiovisual brasileiro. O primeiro contato com a narrativa veio ainda criança, ouvindo o pai contar histórias da vida no campo. Mais tarde, já trabalhando em Araguaína, descobriu a literatura e o teatro, antes de chegar ao cinema.

 

Hoje, Eva é roteirista, diretora e produtora cinematográfica, responsável por importantes produções e projetos que projetam o Tocantins internacionalmente. Entre seus trabalhos está o longa “O Barulho da Noite”, que conquistou 12 prêmios internacionais.

 

“Eu venho de um lugar de muita dignidade. Sou mulher, negra, nortista e filha da zona rural. Minha trajetória é de resistência, mas também de orgulho. Não peço licença para ocupar espaço”, afirma.

 

Para ela, o audiovisual é mais que arte: é também economia, formação profissional e oportunidade para talentos locais. Eva rompe barreiras e abre caminho para a mulher no audiovisual tocantinense.  “O Tocantins tem uma riqueza cultural imensa, e as mulheres têm um papel fundamental na preservação, na criação e na reinvenção dessa cultura”, finalizou a cineasta.

 

Palavras que perpetuam memórias

 

Entre as vozes que ecoam na literatura produzida no estado, está a da escritora Lucelita Maria Alves, conhecida como Lita Maria, ocupante da Cadeira nº 19 da Academia Palmense de Letras. Filha de Trindade (GO) e radicada em Palmas, a autora traz para sua escrita as memórias da oralidade do interior e a força das histórias que atravessam o sertão. 

 

Em seus romances do chamado “Ciclo do Sertão”, Lita Maria mergulha em personagens, paisagens e sentimentos que dialogam com o universo sertanejo, contribuindo para fortalecer a literatura produzida no Tocantins. Para ela, a presença das mulheres na cultura é fruto de um processo contínuo de construção. 

Leia Também:  Amélio Cayres prestigia posse do novo presidente do TRE-TO e membros da mesa diretora

 

“Trago comigo as memórias das mulheres que vieram antes, tanto as do cenário literário quanto aquelas que tiveram suas vozes silenciadas. Procuro, com meu trabalho, somar minha voz a essa corrente de mulheres que mantêm viva a cultura do nosso estado”, destaca a escritora.

 

O feminino que gere a cultura tocantinense

 

Inúmeras mulheres contribuem diariamente para fortalecer a cultura no Tocantins, seja na criação artística, na preservação de saberes tradicionais ou na gestão cultural. Entre elas estão artistas, pesquisadoras, produtoras e lideranças comunitárias que ajudam a construir o mosaico cultural do estado, mantendo vivas tradições e abrindo caminhos para novas gerações. São mulheres que escrevem, cantam, filmam, bordam, dançam, pesquisam, organizam eventos, produzem arte e defendem políticas públicas culturais.

 

Mulheres como Luara Aquino, ativista cultural, que acumula décadas de trabalho dedicado à valorização das artes e da cultura, e hoje ocupa o lugar de presidente da Fundação Cultural de Palmas; Maria Elza, ceramista de Lajeado com mais de 20 anos de atuação e difusão da arte pelo Tocantins. 

 

Além delas, também fazem história Lucirez Amaral, artista plástica e curadora cultural, é figura proeminente no cenário educacional e cultural, especialmente no sul do Estado; e Ana Cleia Ribeiro Queirós, presidente da Associação dos Ciganos Kalon – Acek-Patins, em Palmas, e ativista do povo cigano. 

 

Mulheres que carregam no sangue e no ventre a ancestralidade tocantinense, como  Noemi Ribeiro (Dôtora), liderança da Comunidade Quilombola Mumbuca, raízera reconhecida por utilizar saberes ancestrais para curar os moradores. Personalidades que guardam em suas mãos saberes que percorrem o tempo, como Eliene Bispo, presidente da Associação Dianapolina de Artesãos, que projeta o capim-dourado no Brasil e no exterior por meio da comercialização.

 

A Secult também presta homenagem, in memoriam, a mulheres que deixaram um legado profundo na cultura tocantinense, como dona Laurentina, parteira da Comunidade Quilombola Mumbuca; e Dona Raimunda, quebradeira de coco, mulheres que dedicaram suas vidas ao cuidado de suas comunidades e perpetuação das tradições locais. 

 

Cultura com rosto de mulher

 

Para a secretária executiva da Secult, Ana Cláudia Batista, reconhecer essas trajetórias é também valorizar a história cultural do estado.

 

“As mulheres têm um papel fundamental na construção da cultura tocantinense. Elas estão na base dos saberes tradicionais, na criação artística, na produção cultural e nas políticas públicas. Celebrar essas mulheres é reconhecer a força que mantém viva a identidade do nosso estado e inspira novas gerações”, afirma Ana Cláudia.

 

Seja nas cidades, nas comunidades quilombolas, nos territórios indígenas ou nas feiras de artesanato, as mulheres continuam sendo protagonistas na construção da identidade cultural tocantinense.

 

Com talento, resistência e criatividade, elas transformam saberes em arte e experiências em histórias compartilhadas. Neste Dia Internacional da Mulher, celebrar essas trajetórias é reconhecer que a cultura do Tocantins também é tecida, cantada, narrada e preservada pelas mãos e vozes de mulheres.

 

Advertisement

TOCANTINS

Durante painel em Lisboa, governador Wanderlei Barbosa destaca potencial energético do Tocantins como vetor de desenvolvimento

Published

on

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, participou nesta terça-feira, 2, do 14º Fórum de Lisboa, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em Portugal, integrando o painel Energia como Ativo Estratégico na Economia Verde e Digital. Como palestrante, o chefe do Executivo apresentou a experiência do Tocantins no aproveitamento do potencial energético como vetor de desenvolvimento sustentável e competitivo, em um debate voltado aos desafios e às oportunidades do setor energético diante das transformações econômicas e tecnológicas.

Na ocasião, em painel moderado pelo consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Eduardo Maia, o governador Wanderlei Barbosa debateu com o advogado-geral da Petrobras, Cristiano Andrade; o diretor jurídico da Axia Energia, José Eduardo Guimarães Barros; e a advogada Maís Moreno, temas como transição energética, segurança no abastecimento, investimentos em infraestrutura e tecnologia, expansão das fontes renováveis e redução das emissões de gases de efeito estufa.

Durante a palestra, o governador Wanderlei Barbosa enfatizou a energia como um ativo essencial para o desenvolvimento. “O crescimento econômico exige considerar eficiência energética, inovação tecnológica e sustentabilidade. No Tocantins, estamos trabalhando com incentivos legais, como a isenção de ICMS e linhas de crédito, para alinhar esses desafios por meio de ações que incentivam uma economia de baixas emissões e infraestrutura energética sustentável, além de ampliar as oportunidades de desenvolvimento. Entendemos que a transição energética precisa ocorrer com planejamento e responsabilidade ambiental”, pontuou.

Ao defender a conciliação entre crescimento econômico, eficiência, previsibilidade e participação social na formulação de políticas voltadas ao setor energético diante das transformações tecnológicas e dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, o governador também detalhou a Estratégia Tocantins Competitivo e Sustentável (Estocs), iniciativa do Governo do Tocantins de longo prazo, que orienta investimentos nas áreas de meio ambiente, desenvolvimento social e infraestrutura. Os objetivos da iniciativa são fortalecer a competitividade do estado e promover um modelo de crescimento de baixas emissões de gases de efeito estufa.

Leia Também:  Governo do Tocantins intensifica construção do Mapeamento Situacional dos Povos Originários com a participação de lideranças de 11 etnias

O governador Wanderlei Barbosa ressaltou também o potencial energético do Tocantins e as ações adotadas pelo Estado para ampliar a geração de energia limpa, especialmente por meio da energia solar. “O Tocantins tem promovido a política de sustentabilidade de maneira coerente. Somos banhados por duas bacias importantes para o Brasil e, nessas bacias, temos diversas hidrelétricas que também são fontes de energia renovável. Iniciamos uma importante migração para a energia solar. Recentemente, inauguramos o primeiro parque fotovoltaico do Estado em um projeto produtivo de frutas e derivados e já temos outros seis projetos previstos para implantação”, acentuou o chefe do Executivo.

O chefe do Executivo também salientou as ações voltadas à preservação ambiental e ao fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e monitoramento do território tocantinense. “Temos projetos voltados para o fortalecimento dos órgãos de controle ambiental para fazer o combate da degradação ambiental e dos incêndios. Todo o nosso território é regido com leis ambientais rigorosas, sendo coberto e monitorado via satélite. Esse é o objetivo da nossa vinda, discutir o Tocantins, trazer informações e levar para o nosso estado”, finalizou.

Potencial do Tocantins

Na área ambiental, o Estado conquistou a liderança nacional entre os estados que mais avançaram em sustentabilidade ambiental entre 2023 e 2025, conforme o Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O resultado é reflexo de ações como o programa Foco no Fogo, que contribuiu para a redução de 34% das queimadas ilegais entre 2024 e 2025.

O Estado também se destaca na geração de energia limpa, com capacidade instalada de 1.968,97 MW, dos quais mais de 93% são provenientes de cinco usinas hidrelétricas e pequenas centrais hidrelétricas. Com demanda de 740,6 MW, consome apenas 37,6% da energia que produz, destinando o excedente ao Sistema Interligado Nacional e contribuindo para a segurança energética do país.

Leia Também:  Governador parabeniza prefeitos eleitos e afirma que o Palácio Araguaia está de portas abertas para recebê-los

⁠O Tocantins é um dos estados que mais evoluiu nos serviços públicos digitais. Nas próximas semanas, o Governo do Tocantins assinará a Ordem de Serviço para a instalação de cinco parques fotovoltaicos em prédios públicos, iniciativa que deve gerar economia estimada em R$ 600 milhões ao longo de 25 anos. Além de ampliar a eficiência da gestão pública, a digitalização dos serviços reduz deslocamentos, diminui o consumo de combustíveis fósseis e proporciona mais praticidade à população.

Na área de transporte, o Governo do Tocantins tem adotado medidas que integram sustentabilidade e redução de custos. Veículos elétricos e híbridos estão isentos do pagamento de Imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) até o fim de 2027. O Estado também aderiu ao programa federal de subvenção ao diesel importado, que garantiu desconto de até R$ 1,20 por litro. A participação representou cerca de 1,79% do consumo nacional e um impacto financeiro de aproximadamente R$ 30 milhões.

Fórum de Lisboa

Realizado anualmente, o Fórum de Lisboa chega à sua 14ª edição em 2026 com o tema Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais. A programação, que ocorre entre os dias 1º e 3 de junho, reúne acadêmicos, gestores, especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil do Brasil e da Europa para debater os impactos das transformações tecnológicas nas estruturas políticas, econômicas e sociais, além de temas relacionados à democracia, inovação, sustentabilidade e saúde.

O evento é promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pelo Lisbon Public Law Research Centre (LPL), da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), e pelo Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário da Fundação Getulio Vargas (FGV Justiça).

Continue Reading

GURUPI

TOCANTINS

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA