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Governo do Tocantins entrega aparelho portátil de detecção fetal para os hospitais estaduais

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A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) iniciou na segunda-feira, 06, a entrega de detectores fetais portáteis para as unidades hospitalares estaduais que possuem maternidade. Inicialmente, sete hospitais irão receber 30 equipamentos, o Hospital Regional de Miracema (HRM) foi o primeiro.

Com objetivo de monitorar a frequência cardíaca fetal, o detector fetal identifica eventuais problemas e complicações de saúde. É utilizado nas consultas feitas na assistência às gestantes, onde o profissional verifica se o feto está em boas condições de vida dentro do útero, possibilitando a vitalidade do bebê no nascimento.

Segundo a diretora geral do HRM, Maria da Penha Bandeira, “ficamos felizes com os equipamentos que recebemos, pois eles irão contribuir com uma melhor assistência aos nossos pacientes e colaborar com o trabalho de nossas equipes. Esta é mais uma importante ação da Secretaria, em nos proporcionar melhorias para quem precisa do SUS”.

O diretor geral do Hospital Materno Infantil Tia Dedé, Hélio de Almeida Barros, afirmou que “o aparelho é de suma importância tanto no consultório obstétrico quanto no pré-parto, porque vai orientar e dar um norte para as equipes de enfermagem e aos médicos. Vai verificar se no momento a criança está com batimento cardíaco muito fraco ou muito acelerado. Esses dois extremos auxiliam para tomar decisões ao identificar a necessidade de emergência. É um aparelho novo, com certeza é mais sensível do que aqueles que nós temos aqui. Esse é o nosso olhar para esse aparelho, que chega em boa hora, para dar mais importância e suporte no atendimento ao paciente”.

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“Esse equipamento é utilizado como um importante instrumento para monitorar a saúde fetal, pois através das mudanças do registro da frequência cardíaca, pode-se observar a hipóxia, sofrimento fetal, cordão em torno do pescoço e outros sintomas. É de grande finalidade para salvar vidas e assim prevenir a mortalidade de recém-nascidos”, afirmou o diretor geral do Hospital Regional de Gurupi (HRG), Fernando Bezerra.

Os hospitais que irão receber inicialmente os equipamentos são: Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos; Hospital Regional de Miracema; Hospital Regional de Paraíso; Hospital Regional de Gurupi; Hospital Regional de Guaraí; Hospital Regional de Augustinópolis; Hospital Materno Infantil Tia Dedé.

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SAÚDE

HGP realiza primeiro procedimento com polilaminina no Tocantins e abre nova perspectiva para pacientes com lesão medular

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A manhã desta quinta-feira, 2 de abril de 2026, entrou para a história da saúde pública do Tocantins. No Hospital Geral de Palmas (HGP), a jovem Sindy Mirela Santos Silva, de 21 anos, tornou-se a primeira paciente do estado a receber a aplicação da polilaminina, uma substância em estudo que vem sendo investigada por seu potencial na recuperação de lesões medulares.

A trajetória até este momento começou no dia 11 de janeiro, quando Sindy sofreu um grave acidente de carro no trajeto entre Novo Alegre e Combinado, no sudeste do estado. A colisão provocou uma lesão na medula espinhal que resultou em paraplegia.

O primeiro atendimento foi realizado no Hospital Regional de Porto Nacional (HRPN). Diante da complexidade do quadro, a paciente foi transferida para o HGP, onde passou a ser acompanhada por uma equipe multiprofissional e submetida a cirurgias, incluindo a estabilização da coluna.

Desde então, foram semanas de cuidados intensivos, reabilitação e adaptação a uma nova realidade. Nesse processo, a possibilidade de acesso a um tratamento experimental começou a surgir.

A polilaminina é uma substância produzida em laboratório a partir da laminina, uma proteína naturalmente presente no corpo humano. De forma simplificada, essa proteína tem papel importante no crescimento e na organização das células, especialmente na formação do sistema nervoso. A versão desenvolvida em laboratório busca reproduzir essa estrutura de forma estável, com o objetivo de auxiliar o organismo na reparação de danos, como os causados em lesões da medula.

A pesquisa é conduzida pela cientista Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e ainda está em fase experimental. Resultados preliminares apontam potencial de auxílio na regeneração dos tecidos nervosos e na preservação de células afetadas pelo trauma.

A possibilidade de participação no estudo surgiu com apoio e orientação da equipe do hospital, que identificou que Sindy se enquadrava nos critérios da pesquisa, por ainda estar na fase inicial da lesão.

Procedimento inédito no estado

A aplicação foi realizada no setor de hemodinâmica do HGP, com o auxílio de tecnologia de imagem para guiar com precisão o local da injeção.

“Hoje, com muita alegria, estamos no setor de hemodinâmica do Hospital Geral de Palmas para realizar o primeiro procedimento de administração da polilaminina no Tocantins. Trata-se de uma paciente com traumatismo raquimedular, ainda na fase aguda, e que se enquadra nos critérios do estudo. A equipe está otimista com essa possibilidade e confiante de que o tratamento pode trazer benefícios. O procedimento é feito com auxílio de raio X, que permite direcionar a aplicação exatamente no local da lesão”, disse o neurorradiologista intervencionista e neurocirurgião do HGP, Dr. Vinícius Bessa.

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Responsável pela aplicação, o neurocirurgião Luiz Felipe Lobo Ferreira explicou que o procedimento é minimamente invasivo.

“A aplicação é feita com a paciente de lado, com sedação leve e sem necessidade de cortes. Utilizamos uma injeção diretamente na coluna, guiada por imagem, para alcançar exatamente a área da lesão na medula”, afirmou.

O médico pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte, integrante da equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio, destacou que a polilaminina atua justamente na região afetada pelo trauma.

“A polilaminina é derivada de uma proteína natural do corpo, a laminina, que tem papel importante no desenvolvimento do sistema nervoso. O que conseguimos foi transformar essa proteína em uma forma estável, que pode atuar na regeneração dos neurônios lesionados e também proteger as células que ainda estão viáveis. A expectativa não é falar em cura, mas em melhora da qualidade de vida, com possíveis ganhos de movimento, controle corporal e independência”, explicou.

Ele também ressaltou que o tratamento ainda é experimental e depende da iniciativa do próprio paciente.

“Como é um medicamento em estudo, o acesso não é automático. O paciente precisa buscar a equipe responsável, estar ciente dos riscos e atender aos critérios definidos”, completou.

Esperança construída dia após dia

A possibilidade de receber a medicação trouxe um novo fôlego à família. Há quase três meses em Palmas acompanhando a filha, a mãe de Sindy, Ledjane Bezerra da Silva, resume o sentimento vivido neste momento.

“Estou aqui há quase três meses com a minha filha e muito feliz por ela receber essa medicação. A gente conseguiu contato com a equipe da doutora Tatiana e eu espero que esse tratamento chegue a mais pacientes. Que ninguém desista do sonho de voltar a andar. Eu só tenho gratidão a Deus por tudo que está acontecendo”, disse.

A própria Sindy, moradora de Combinado, também compartilha o sentimento diante do procedimento realizado.

“O meu sentimento hoje é de gratidão, primeiramente, a Deus. Ser a primeira do Tocantins eu acredito que vai abrir portas para outras pessoas também terem acesso à polilaminina. Para mim, foi como estar me afogando e passar um navio para me tirar de lá, porque a gente tem muita expectativa”, afirmou.

Para além do procedimento, a história de Sindy também é marcada pelo trabalho contínuo da equipe de reabilitação. A fisioterapeuta Wellen Cristine acompanhou de perto toda a evolução da paciente desde a chegada ao hospital.

“Quando a Sindy chegou, o quadro era grave. Ela tinha lesões no tórax, fraturas nas costelas e precisou, primeiro, de um cuidado intenso na parte respiratória. Só depois conseguimos avançar para a parte motora e preparar o corpo dela para a cirurgia. A reabilitação de pacientes com lesão na coluna é feita, muitas vezes, no leito, porque eles não podem sentar no início. É um processo longo, físico e emocional”, explicou.

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Segundo a profissional, a busca pela polilaminina também foi construída dentro da própria unidade.

“A gente orientou a família sobre essa possibilidade e eles foram atrás. Foi um momento muito marcante quando conseguiram contato com a equipe da pesquisa. Existe muita expectativa, mas também consciência de que o tratamento é apenas uma etapa. A recuperação depende de um trabalho contínuo, principalmente com fisioterapia”, afirmou.

Estrutura que faz a diferença

Para a fisioterapeuta, a realização do procedimento só foi possível graças à estrutura oferecida pelo hospital e ao trabalho integrado das equipes.

“O que faz diferença aqui é justamente a equipe multiprofissional. A paciente é acompanhada por fisioterapeuta, psicólogo, enfermeiros, médicos de várias especialidades, nutricionista, fonoaudiólogo. Tudo o que ela precisou durante esses quase três meses foi atendido dentro do hospital. Ela passou por cirurgia, por acompanhamento clínico, por reabilitação. Isso foi fundamental para que ela chegasse apta a receber a polilaminina dentro do prazo necessário”, destacou.

Wellen também chama atenção para o desafio que começa após a alta.

“Agora surge uma nova etapa. Ela é do interior e vai precisar continuar esse acompanhamento fora daqui. Não é simples, mas o que foi feito até aqui mostra o quanto esse suporte completo faz diferença na vida do paciente”, completou.

O secretário de Estado da Saúde, Carlos Felinto, ressaltou o papel do Sistema Único de Saúde na viabilização de atendimentos complexos e inovadores.

“Esse é um momento importante para a saúde pública do Tocantins. Estamos falando de um procedimento pioneiro no estado, realizado dentro de uma unidade do SUS, com toda a estrutura necessária e uma equipe altamente qualificada. Mais do que a tecnologia, o que garante esse tipo de avanço é o cuidado contínuo, integrado e acessível à população. Nosso compromisso é seguir fortalecendo essa rede para que mais tocantinenses tenham acesso a um atendimento de qualidade”, afirmou.

A história de Sindy ainda está em construção. O procedimento realizado nesta quinta-feira representa um passo importante, mas não encerra o processo. A partir de agora, começam novas etapas de acompanhamento e reabilitação.

Entre expectativas e incertezas, o que se consolida é a soma de esforços. De uma paciente que não desistiu, de uma família que buscou alternativas, de profissionais que enxergaram possibilidades e de um sistema público que, quando articulado, é capaz de abrir caminhos antes impensáveis.

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