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Tocantins abre estande na 25ª Fenearte com protagonismo de artesãos indígenas e tradicionais

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Com apoio do Governo do Tocantins, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), o estande do Estado foi oficialmente aberto nesta quarta-feira, 9, durante a 25ª edição da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda (PE). Considerada a maior feira do segmento na América Latina, a Fenearte reúne artesãos de todo o país até o dia 20 de julho, promovendo a diversidade cultural brasileira e incentivando a economia criativa.

O estande do Tocantins ocupa 38 m² e apresenta uma amostra expressiva do artesanato regional, com destaque para peças feitas com capim-dourado, fibras de buriti, sementes, madeira e cerâmica tradicional do povo Karajá. Representando diferentes regiões e povos do Estado, os artesãos foram selecionados por meio de edital público e contam com o suporte da Secult, que viabiliza transporte, hospedagem, montagem e apoio técnico durante toda a feira

Para o secretário da Cultura, Tião Pinheiro, participar da Fenearte é fortalecer não apenas a economia criativa, mas também reafirmar o artesanato como uma das expressões mais potentes da identidade tocantinense. “Estar aqui é uma forma de dar visibilidade ao nosso fazer tradicional e de ampliar as oportunidades para os nossos artesãos. É cultura que gera renda, movimenta redes e conecta histórias”, avaliou destacando o apoio do Governo Wanderlei Barbosa em prol do setor cultural.

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Durante a programação da feira, o secretário também encontrou-se com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra; a vice-governadora, Priscila Krause Branco; e a prefeita de Igarassu (PE), professora Elcione Ramos, reforçando laços institucionais entre os estados.

Já o secretário dos Povos Originários e Tradicionais, Paulo Xerente, celebrou a presença dos povos indígenas na feira e destacou a representatividade do estande. “Estamos expondo artesanatos que vieram diretamente das Terras Indígenas — capim-dourado, fibras de buriti, as bonecas Ritxòkò do povo Karajá. Tudo isso está sendo mostrado na maior feira da América Latina, o que nos enche de alegria e orgulho”, declarou.

Participação

Representando o Conselho Estadual de Política Cultural (CPC/TO), o artesão e artista plástico Elpídio Neto descreveu a participação como uma experiência transformadora. Para ele, a presença na Fenearte vai além da exposição de produtos. “É a chance de conectar nossa arte com o Brasil e o mundo. Aqui estamos com nossa identidade, nossa ancestralidade e o nosso fazer tradicional, mostrando o valor de tudo aquilo que produzimos com tanto zelo”.

A coordenadora-geral do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), Daniela Vasconcelos, acompanhou a abertura do estande e ressaltou a importância da atuação conjunta entre estados e Governo Federal. Segundo ela, a presença dos estados em uma feira como a Fenearte reforça a efetividade das políticas públicas. “O programa só faz sentido porque caminha junto com os estados. Ter essa representatividade nacional aqui mostra a força da produção artesanal brasileira como um todo”.

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Representatividade

A artesã indígena Terezinha Tk Xerente, da Aldeia Porteira, em Tocantínia, chamou atenção dos visitantes com suas peças em capim-dourado e contou que se sentiu acolhida. “É muito bom mostrar nosso trabalho aqui. As pessoas se interessam, fazem perguntas, querem entender nossa história. Isso nos valoriza e nos fortalece”, contou.

Também estiveram presentes a secretária-executiva da Secult, Valéria Kurovski; a coordenadora do PAB no Tocantins, Núbia Cursino; a diretora de Fomento e Proteção da Cultura da Sepot, Milene de Souza; a servidora da Gerência de Economia Criativa da Secult, Lorrany Cantuario; e os conselheiros do CPC/TO Valdirene Gomes dos Santos, titular no segmento de Cultura Tradicional, e Raimundo da Silva de Oliveira (conhecido como Ray Silva), titular de Cultura Popular.

Fenearte

A Feira é organizada pelo Governo de Pernambuco, por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), em parceria com o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), do Governo Federal.

Mais informações sobre a programação e os expositores podem ser conferidas no perfil oficial do evento no Instagram: @fenearte

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CULTURA

Mães na cultura: mulheres transmitem saberes e preservam tradições no Tocantins

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A cultura é a mãe de todas as nações”. A frase dita por Gilberto Gil durante sua posse como ministro da Cultura, em 2003, traduz a ideia de que a identidade, os valores, os costumes e as tradições de um povo nascem e se sustentam pela transmissão de saberes entre gerações.

Neste Dia das Mães, comemorado em 10 de maio, a Secretaria de Estado da Cultura presta homenagem às mulheres que, por meio do cuidado, da escuta e da transmissão de saberes, ajudam a preservar a memória coletiva do Tocantins. Mães biológicas, mães do coração, mestras, educadoras, artistas, artesãs e fazedoras de cultura que, em diferentes territórios, mantêm vivas as práticas, as histórias e que repassam às novas gerações conhecimentos herdados de seus antepassados. 

O secretário de Estado da Cultura, Adolfo Bezerra,  reconhece na maternidade a primeira e mais importante forma de transmissão cultural. “Celebrar o Dia das Mães é, para nós, celebrar a origem de toda a nossa identidade. Afinal, a cultura começa no colo, nas primeiras histórias contadas e nas tradições que passam de mãe para filho. A mãe é a nossa primeira mestra e a maior incentivadora da criatividade. Hoje, homenageamos aquelas que fazem do cuidado a sua maior obra de arte e que nutrem, com amor e força, a alma do nosso povo. Em nome da Secretaria de Cultura, meu mais sincero agradecimento e um feliz Dia das Mães a todas!”, afirma o secretário.

Para representar as muitas mulheres tocantinenses que unem maternidade, memória e cultura, a Secult destaca as trajetórias de Felisberta Pereira da Silva, conhecida como Dona Feliz, e de Verônica Tavares de Albuquerque. Em comum, elas carregam o compromisso de repassar aprendizados, preservar tradições e formar novas gerações a partir de suas vivências culturais.

Dona Feliz e a Suça Mãe Ana

Carinhosamente conhecida como Dona Feliz, Felisberta Pereira da Silva é matriarca, líder e coordenadora do Grupo de Suça Mãe Ana, da cidade de Natividade. Reconhecida como uma das principais guardiãs da suça no Tocantins, ela atua há décadas na preservação dessa manifestação cultural de matriz afro-brasileira, tradicionalmente presente nos Festejos do Divino Espírito Santo.

Benzedeira e Mestra Suceira, dona Felisberta conta que a criação do grupo nasceu da preocupação com o enfraquecimento da tradição em Natividade. “A ideia de criar o grupo surgiu quando percebemos que a suça, em Natividade, estava acabando. A manifestação, que era tocada na Festa do Divino, estava perdendo espaço e as pessoas estavam abandonando essa tradição. Em 2000, veio a vontade de criar um grupo que resgatasse a suça e não deixasse morrer essa cultura tão bonita, essa herança do povo negro. Foi assim que, junto com amigos, criamos o Grupo Mãe Ana, que segue na estrada até hoje, graças a Deus”, relembra.

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Hoje, dona Feliz é referência na manifestação e representa o Tocantins em eventos dentro e fora do Estado, levando a suça como expressão de identidade, resistência e pertencimento. Além de mestra suceira, ela também é mãe de cinco filhos biológicos e três filhos do coração.

Sou mãe de cinco filhos biológicos e mais três que criei, que são filhos do coração. Para mim, não tem diferença. A diferença é que eu não sofri para parir, não passei pela gravidez e não amamentei. Mas, no amor, não existe diferença. São meus filhos de alma, amo todos por igual”, afirma.

Para além da família, ela também é vista por muitos integrantes de sua comunidade como uma referência de cuidado, orientação e ensinamento. Em sua trajetória, maternidade e ancestralidade caminham juntas, como formas de manter viva a herança recebida dos mais velhos.

A gente sempre traz algo bonito da forma como foi criado pelos nossos pais e avós, e transmite isso para os nossos filhos. Para mim, ancestralidade e a maternidade seguem juntas. A relação delas é muito estreita”, declara.

Ao refletir sobre o Dia das Mães, dona Felisberta declara que ser mãe também exige escuta, presença, humildade e fé. “Neste Dia das Mães, a minha mensagem é que a gente saiba ser mãe. Uma mãe que dialoga, que conversa, que aconselha e que não se coloca em um pedestal. Para criar bem um filho, é preciso descer até o nível dele: cantar, sentar no chão, brincar, conversar e ouvir suas histórias. Quando eles crescem, é preciso saber orientar. Mãe é parceria, é amor, é compreensão, é luta e resignação. Que a gente saiba ser mãe com o coração. E, sempre que necessário, coloque o joelho no chão, faça uma oração pelo seu filho, peça proteção e entregue à força maior, para que tudo caminhe bem na vida deles”, finaliza.

Verônica Tavares de Albuquerque e o Grupo de Suça Tia Benvinda

A relação de Verônica de Albuquerque Tavares com a suça começou no ambiente escolar. Pernambucana de origem, ela se mudou para Natividade, onde atuava como professora de Geografia. Em meio ao trabalho com os alunos, percebeu a necessidade de aproximá-los das manifestações culturais da própria cidade. Foi a partir dessa provocação que Verônica aprofundou seus estudos sobre a dança tradicional de  Natividade.

O trabalho com a suça começou na escola, mas eu percebi que ele não podia ficar restrito àquele espaço, porque os alunos se envolviam, se reconheciam e criavam vínculo com a cultura. Quando eles saíam do ensino fundamental, perdiam esse contato. Foi aí que entendi que precisava ampliar, abrir para a comunidade e dar continuidade a esse processo. Comecei a pesquisar, ouvir os mestres, vivenciar a cultura e me encantar profundamente. A suça não entrou na minha vida só como conteúdo, ela me atravessou como identidade, como pertencimento,” relata Verônica.

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Como resultado desse trabalho, em 2017 foi criado o Grupo de Suça Tia Benvinda, formado por crianças, adolescentes e jovens da comunidade. Atualmente, a iniciativa é reconhecida como Ponto de Cultura pela Política Nacional Cultura Viva, do Ministério da Cultura.

Temos, em média, 75 participantes diretos, além de outros que sempre estão chegando ou aguardando vaga. Trabalhar a suça com crianças e adolescentes é algo transformador. A gente não ensina só a dança, a gente trabalha valores, identidade, respeito, disciplina e pertencimento. É um processo de formação humana, cultural e social. É educação patrimonial e antirracista”, completa a professora.

Além de idealizadora e coordenadora do ponto de cultura, Verônica é produtora, ativista cultural e mãe de Letícia, de 12 anos, que desde muito pequena já participa das rodas de suça, ao som dos versos e da batucada dos tambores.

Letícia é suceira desde que estava na minha barriga. Hoje, com 12 anos, ela já repassa os ensinamentos para as crianças menores que chegam às aulas semanais. Ela e outros veteranos ajudam nesse processo, mostrando como fazer os passos e acolhendo quem está começando”, conta.

O grupo carrega o nome de Tia Benvinda, mulher negra nativitana, guardiã de saberes e grande referência da cultura local. Para Verônica, a atuação com o coletivo também passa pelo cuidado cotidiano, pela escuta e pela construção de vínculos com os participantes.

É um cuidado diário, um acompanhamento, uma escuta, uns puxões de orelha, se precisar. A gente cria laços, vínculo. Eu me vejo, sim, nesse lugar de cuidado, assim como muitas outras mulheres que fazem parte dessa caminhada. É uma rede de afeto, de proteção e de construção coletiva. Tenho no coletivo integrantes que entraram quando tinham 10, 11 anos e hoje estão com 20, 22, 23 anos, repassando o aprendizado para os mais novos que vão chegando. É o saber circular”, afirma.

Os encontros do Grupo de Suça Tia Benvinda são realizados às quintas-feiras, em frente às ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no centro histórico de Natividade. 

Neste Dia das Mães, as trajetórias de dona Felisberta e Verônica simbolizam o papel de tantas mulheres que fazem da cultura um gesto de cuidado, formação e continuidade. São mães que ensinam com a palavra, com o corpo, com a memória e com a presença, ajudando a preservar as raízes que sustentam a identidade cultural do Tocantins.

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