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Cultura Viva: segundo dia da Teia Tocantins reforça diversidade e sustentabilidade
Publicado em
15 de dezembro de 2025por
Redação
A secretária executiva da Secretaria da Cultura do Tocantins (Secult), Valéria Kurovski, acompanhou as atividades do segundo dia e destacou a força das manifestações culturais apresentadas desde a abertura do evento.
“A Teia Tocantins preparatória para a 6ª Teia Nacional já demonstrou, logo na abertura, a força das manifestações das culturas tradicionais populares. A gente absorve cada vez mais a importância dos Pontos de Cultura que são resistência da cultura brasileira e aqui no Tocantins não é diferente. Os Pontos são responsáveis justamente por ter essa rede, para que todos os artistas, os artesãos, todas as manifestações culturais do Tocantins se fortaleçam, sejam fomentadas e tenham condições de levar não só alegria mas também cultivar memórias, cultivar o nosso patrimônio material e imaterial, preservar e fazer cada vez mais com que os Tocantinenses tenham sempre muito orgulho da sua própria cultura.”
O representante do Ministério da Cultura (MinC), diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares, Tião Soares, ressaltou o significado simbólico e político da Teia enquanto espaço de articulação em rede.
“A Teia é como um fio que puxa outros fios, conectando diversos atores e sujeitos sociais a trabalhar em rede e se articular. Assim como as matrizes culturais se articulam, se frutificam, florescem e se fortalecem, a Teia representa essa força formadora, mobilizadora e organizadora das narrativas — do encanto, do abraço e até do ‘desabraço’. Ela conecta o local, o regional, o nacional e o global, sem jamais perder a nossa essência.”
Na sequência, o coordenador do Escritório de Representação do MinC no Tocantins, Cícero Belém, reforçou o papel estratégico dos Pontos de Cultura na construção de políticas públicas baseadas na cidadania e nos direitos culturais.
“A Teia é esse momento em que essa grande cadeia vai se conectando, fazendo essa tessitura de ideias, de pensamento, de articulação e de conceituação, recolocando o papel dos Pontos de Cultura dentro de uma perspectiva de construção de política cidadã e de política de direitos, porque os Pontos de Cultura estão nas pontas: nas periferias, nas comunidades quilombolas e indígenas. São estruturas sociais que pensam e produzem cultura numa perspectiva da cidadania.”
Debates, oficinas e exposições
Durante a manhã, no Ponto de Cultura Casa do Artesão, foi realizado o seminário Gênero e Diversidade na Amazônia e no Cerrado, com foco em saberes, resistências e interseccionalidade. Participaram Paula Stuczynski (GT Hip Hop Nacional/CNPdC e Pontão Nacional Cultura Viva Hip Hop); Babalorixá William de Oxóssi (Terreiro de Candomblé Ilê Odé); Silvino Sirnãwē Xerente (liderança indígena do povo Xerente); Noemi Ribeiro, “Dotôra”, parteira, raizeira e curandeira do Quilombo Mumbuca; Vivi de Exú, Agente do Pontão Nacional Gêneros em Rede – Regional João Pessoa/PB, Ênio Sales representante da Secretaria da Igualdade Racial do Tocantins (Seir); e Wellington Krahô (liderança indígena do povo Krahô). A mediação foi realizada por Erval Benmuyal e Darlan Soares, do GT Sustentabilidade/CNPdC.
Darlan destacou o papel dos Pontos de Cultura diante das desigualdades sociais e da emergência climática.
“Em um país marcado por desigualdades, os Pontos de Cultura desempenham um papel fundamental na promoção da inclusão, do pertencimento e do desenvolvimento sustentável. Ao articular cultura, memória e território, atuam na preservação de saberes tradicionais, na valorização das pessoas e na construção de respostas comunitárias à emergência climática, reforçando a cultura como direito e elemento essencial de um país plural.”
A programação do dia incluiu ainda a Oficina Hip Hop Free Step, com Jeff Costa; vivências na Biblioteca Comunitária Cidade Perifa; exposição de artesanato com Iracy Krukwane Xerente (parteira e artesã) e da artesã de Taquaruçu, Cristina Pimentel.
A exposição fotográfica “Água é Vida – Guardiões das Águas”, do fotógrafo Fernando Amazônia, convidou o público à reflexão sobre a relação entre corpo, território e planeta.
Fernando destaca: “A exposição apresentada na Teia traz a água como elemento central, reforçando a relação entre corpo, território e planeta. A água é vida, é emoção, é sentir. Nós somos água: nascemos com cerca de 90% de água no corpo e, ao longo da vida, essa presença vai diminuindo. Trazer essa reflexão por meio da arte é essencial, porque a arte sensibiliza e alcança lugares que o racional, muitas vezes, não consegue acessar.”
Lançamentos e trocas culturais
Durante o evento, foi lançada a cartilha “Suça no Quilombo – Chapada da Natividade (TO)”, de Roberta Tavares de Albuquerque.
“Represento o Ponto de Cultura Grupo Cultural Suça das Dianas. Esse livro é fruto do meu mestrado e também de algo muito pessoal, porque tenho dez anos de trabalho com coletivos da Suça. Contar a história da comunidade onde vivi por 18 anos e apresentar a Suça nesta cartilha educativa sobre o Quilombo Chapada da Natividade é um momento muito especial para mim aqui na Teia Cultura Viva,” afirmou.
Representantes de diversos Pontos de Cultura do estado participaram das atividades. Hemerson Jorge, do Ponto de Cultura Mão de Pilão, de Porto Nacional, destacou a importância da troca entre os territórios.
“Para mim é uma grande satisfação estar aqui, conhecendo pessoalmente pessoas e trabalhos que antes eu só ouvia falar. É uma honra fazer essa troca de conhecimentos e conhecer outros Pontos de Cultura, não só os espaços, mas o trabalho que cada um desenvolve em seus territórios,” comentou.
A representante do Grupo de Suça Tia Benvinda, de Natividade, Verônica de Albuquerque, também ressaltou a relevância do encontro.
“Para mim, como idealizadora do projeto, viver esse momento na Teia é algo grandioso. Embora o formato atual do trabalho tenha começado em 2017, atuo com a cultura tradicional do Tocantins desde 2010. Estar aqui, conhecendo outros Pontos de Cultura e trocando experiências, é muito importante, especialmente para quem é um ponto de cultura recente. A Teia nos ajuda a nos localizar dentro dessa rede, a entender o que já fazemos e o que ainda podemos construir. Precisamos de mais momentos como esse e também descentralizar essas ações, levando esses movimentos para o interior, para que mais pessoas possam participar,” avaliou.
Vivências na Aldeia Taboka Grande
No período da tarde, a programação seguiu para a Aldeia Taboka Grande, com o Encontro de Saberes sobre cidadania ambiental, sustentabilidade e justiça climática, reunindo mestras e mestres do Tocantins e das matrizes amazônicas.
O mestre Wertemberg Nunes recebeu o público com intervenções artísticas utilizando o Boneco Amarelo, além da apresentação dos bonecos gigantes como o Tabokão e a Boiúna, destacando a importância do respeito ao território.
“A maior força deste mundo é fazer com que a gente aprenda a respeitar o lugar em que vivemos, a valorizar cada ser, cada árvore, cada rio e cada tradição que sustenta a vida. Nós só existimos porque existe o lugar, e é cuidando dele que preservamos a nossa história, nossa cultura e a conexão com tudo ao nosso redor. É nessa relação de respeito e cuidado que encontramos equilíbrio e sentido para nossas ações no presente e para as gerações futuras.”
Durante o encontro, o público acompanhou o lançamento da segunda edição do livro “A Mata que Cura – Plantas Medicinais do Cerrado”, que registra os saberes ancestrais sobre plantas medicinais do Cerrado, da mestra em cultura popular e raizeira tocantinense Felisberta Pereira da Silva, carinhosamente conhecida como Dona Felisberta.
“É com alegria que eu estou aqui hoje para fazer o lançamento da segunda edição deste livro. Acreditem: até o nome dele me foi dado em sonho. ‘A Mata que Cura’ é um nome forte, que representa a minha comunidade quilombola e os saberes que atravessam gerações.”
O cantor e compositor Silvino Sirnãwē Xerente também compartilhou cânticos e ensinamentos do povo Xerente com o público visitante.
Circo, acessibilidade e cultura viva
Durante a noite, no Centro Cultura Circo Os Kaco, o circuito interativo da Teia contou com a exposição comemorativa dos 15 anos do circo, o espetáculo ‘Encantos do Tocantins’, da ‘Cia. A Barraca’, e o espetáculo ‘IntervenCirco’, celebrando a diversidade das artes circenses.
A coordenadora de acessibilidade do circo, Flávia Rodrigues, destacou a convergência entre cultura e educação ambiental, temática da Teia 2025.
“A gente recebeu esse convite com muita alegria. O tema da Teia, a justiça climática, é extremamente importante e já faz parte do nosso trabalho aqui no circo. A educação ambiental é transversal: a gente trabalha permacultura, compostagem e coleta seletiva, e isso já está no cotidiano das crianças.”
Durante todo o dia, o “Projeto Acessibilidade Cultural”, idealizado e articulado por Mônica Costa, promoveu iniciativas voltadas a garantir o direito universal ao acesso à arte e cultura para pessoas com deficiência. Por meio de oficinas, palestras e vivências práticas, o projeto capacita produtores culturais e gestores públicos a identificar e eliminar barreiras — sejam físicas, de comunicação ou atitudinais — e a planejar a inclusão desde a concepção dos projetos.
“Se o evento ou projeto não tem acessibilidade, ele já nasce excludente. Acessibilidade não é um adicional, não é um complemento. Muitas vezes me chamam apenas quando o projeto já está pronto, e isso não é construir acessibilidade. Ela precisa estar presente desde o início, porque acessibilidade não é opcional: é ética e política,” completa Flávia.
Teia Tocantins 2025: Pontos de Cultura pela Justiça Climática
CULTURA
Ourivesaria de Natividade recebe título de Patrimônio Cultural do Brasil em cerimônia realizada pelo Iphan
Published
2 dias atráson
2 de junho de 2026By
Redação
O município de Natividade viveu um momento histórico nesta segunda-feira, 1º de junho, com a cerimônia oficial de entrega do título de Patrimônio Cultural do Brasil aos detentores da Ourivesaria de Natividade. Realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio da Superintendência do Iphan no Tocantins, o evento ocorreu na Praça Leopoldo de Bulhões e integrou a programação comemorativa dos 292 anos do município.
A solenidade reuniu autoridades, mestres ourives e membros da comunidade para celebrar o reconhecimento de um dos mais importantes saberes tradicionais do Tocantins. Durante a cerimônia, foram entregues títulos aos detentores do ofício da Ourivesaria de Natividade, prática cultural transmitida entre gerações e que constitui parte fundamental da identidade local.
A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) foi representada pela gerente de Acervos e Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, Alline Alves, destacou a relevância do reconhecimento para a preservação da memória e da cultura tocantinense.“Para a Secult, esse título fortalece as políticas públicas voltadas ao patrimônio cultural, amplia a visibilidade dos mestres detentores desse conhecimento e contribui para que essa tradição seja transmitida às futuras gerações ”, afirmou.
O superintendente do Iphan no Tocantins, Danilo Curado, explica a importância do título no contexto do patrimônio cultural brasileiro.“Esse reconhecimento insere a Ourivesaria de Natividade no conjunto dos bens culturais registrados pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil. Entre 68 os bens imateriais reconhecidos em todo o território nacional, agora o Tocantins passa a contar com essa importante representação de sua história, cultura e tradição”, destacou.
Valorização e reconhecimento
Aprovada como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan em novembro de 2025, a Ourivesaria de Natividade consiste na produção e no uso de joias artesanais confeccionadas com ouro e prata extraídos da própria região. Entre as peças produzidas estão crucifixos, colares, cordões, gargantilhas, brincos, pingentes, pulseiras e anéis, elaborados a partir de técnicas tradicionais transmitidas ao longo dos séculos.
Para a presidente da Associação Comunitária Cultural de Natividade (Asccuna), Simone Araújo, o reconhecimento representa a consolidação de uma trajetória de preservação e resistência cultural. “Recebemos esse reconhecimento com muita alegria. Houve um tempo em que essa tradição corria o risco de desaparecer, e hoje vemos o saber e o fazer da Ourivesaria de Natividade reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil. É a confirmação de que vale a pena continuar preservando e transmitindo esse conhecimento às futuras gerações”, ressaltou.
O mestre ourives de Natividade, Uardon Moreira, que atua no ofício desde 1996, destacou a importância do reconhecimento para os profissionais que mantêm viva a tradição da ourivesaria no município. “Esse reconhecimento é muito importante não apenas para mim, mas para todos os ourives de Natividade. Receber esse título em âmbito nacional valoriza o nosso trabalho, fortalece a profissão e contribui para a preservação desse saber que vem sendo transmitido entre gerações”, disse.

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